Trabalhar mais para receber proporcionalmente menos no final do mês. Essa é a realidade que enfrenta a maioria dos 2 milhões de brasileiros que buscam o sustento por meio de aplicativos de transporte, entregas e serviços. Embora o faturamento bruto final se iguale à média do mercado privado, o tempo investido atrás do volante ou do guidão custa caro à saúde e ao bolso do trabalhador.
Os dados são do módulo experimental da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado pelo IBGE, e mapeiam o perfil dos chamados “trabalhadores plataformizados” no país.
O ganho mensal do trabalhador de aplicativo ficou estagnado em R$ 3.147 (já descontados os custos com combustível e manutenção). O valor parece idêntico ao da média dos trabalhadores fora das plataformas (R$ 3,148), mas a conta não fecha quando se olha para o relógio:
O levantamento aponta que a dificuldade em conseguir um emprego formal com carteira assinada é o motivo principal para a entrada nos aplicativos, superando razões como flexibilidade de horário.
O contingente de quem usa os apps como renda principal saltou de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão. Apenas no último ano, o número de entregadores de comida e mercadorias disparou 18,6%, registrando a maior alta entre as categorias.
| Categoria de Aplicação | Total de Trabalhadores |
| Transporte de passageiros (Uber, 99, Táxi) | 1,2 milhão (58,9%) |
| Entregas (iFood, Rappi, Zé Delivery) | 376 mil (19,2%) |
| Serviços gerais (Design, Telemedicina, etc.) | 313 mil (16%) |
O raio-X do IBGE desconstrói a ideia de independência irrestrita nesse modelo de negócio. Embora 86,8% se declarem trabalhadores por conta própria, a submissão às regras das empresas de tecnologia é quase total:
*Sob supervisão de Gene Lannes
Fonte: Agência Brasil
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