Um policial penal e uma professora contratada pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) são alvos de uma operação que investiga um esquema de corrupção para facilitar a entrada ilegal de celulares e outros objetos em uma unidade prisional de Mato Grosso. Segundo a investigação, os servidores usavam o acesso ao ambiente prisional para atender a interesses de integrantes de uma facção criminosa.
Em nota, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) informa que acompanha o andamento das investigações e que a professora investigada não integra mais a Rede Estadual de Ensino desde 8 de março de 2026, quando solicitou exoneração do cargo.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno.
A Operação Insídia cumpre oito ordens judiciais nesta quarta-feira (9), em Cuiabá. Entre as medidas estão duas prisões preventivas, duas buscas e apreensões, dois bloqueios de valores e a suspensão temporária das funções públicas dos investigados.
Os investigados são suspeitos de corrupção passiva continuada, facilitação e intermediação da entrada de aparelhos telefônicos em unidade prisional e associação criminosa.
As investigações começaram em junho de 2025, depois que a polícia analisou materiais apreendidos e encontrou transferências via Pix para a professora. Os pagamentos teriam sido feitos por detentos ou por pessoas próximas a eles, incluindo familiares e visitantes autorizados.
As movimentações chamaram a atenção dos investigadores e foram relacionadas a uma denúncia sobre a entrada clandestina de celulares e outros produtos na unidade prisional. A suspeita é de que os servidores recebiam dinheiro para facilitar o acesso dos objetos ao presídio.
Segundo a investigação, o policial penal cobrava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por aparelho celular que seria entregue a integrantes da facção. Para dificultar o rastreamento do dinheiro, ele teria usado a conta bancária da companheira para receber parte dos pagamentos.
A polícia também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda e a função exercida pelos investigados.
De acordo com as apurações, a professora utilizava o acesso autorizado ao interior do Centro de Ressocialização de Várzea Grande, onde trabalhava em salas anexas de uma escola estadual, para ajudar na entrada dos objetos. O policial penal, por sua vez, teria usado as próprias atribuições funcionais para facilitar a entrada dos celulares e de outros itens destinados aos integrantes da organização criminosa.
Para os investigadores, o acesso privilegiado dos dois servidores ao ambiente prisional era fundamental para o funcionamento do esquema.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou a suspensão cautelar das funções públicas dos dois investigados enquanto as apurações estiverem em andamento. Também foram autorizados bloqueios de valores nas contas dos suspeitos. No caso da professora, o limite é de R$ 14,6 mil. Para o policial penal, o bloqueio chega a R$ 25,5 mil.
As buscas têm o objetivo de encontrar documentos, aparelhos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer o funcionamento do esquema e identificar possíveis participantes.
As investigações continuam para descobrir se outras pessoas participaram do esquema e dimensionar a atuação do grupo.
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