Assessoria – O palco do Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) recebe, no dia 19 de setembro de 2026, às 20h, á estreia de “Para Todo o Sempre”, novo espetáculo do Grupo de Teatro Avozs, com direção de Daya Brasil.
Inspirado livremente em “O Mistério de Feiurinha”, de Pedro Bandeira, o espetáculo transforma o universo das princesas dos contos de fadas em ponto de partida para uma discussão sobre mulheres, envelhecimento, memória, autonomia e os lugares que elas ocupam — ou são impedidas de ocupar — na sociedade.
Na montagem, princesas como Bela Adormecida, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Jasmine e Rapunzel atravessam um portal e chegam a Mato Grosso. Do outro lado, encontram outras “rainhas”: mulheres ligadas à memória e à história mato-grossense, entre elas Tereza de Benguela, Maria Taquara, Zulmira Canavarros, Mãe Bonifácia, Dona Domingas e Dona Eulália.
O encontro entre esses dois universos provoca conflitos, humor e questionamentos. O que acontece quando personagens acostumadas a viver dentro de histórias prontas encontram mulheres que precisaram lutar para que suas próprias histórias não fossem apagadas?
QUANDO AS PRINCESAS ENCONTRAM AS RAINHAS
“Para Todo o Sempre” propõe uma inversão do imaginário tradicional dos contos de fadas. Em vez de esperar pelo “felizes para sempre”, as personagens discutem o que acontece depois do final das histórias. A montagem aborda etarismo, apagamento histórico, trabalho não pago, saúde mental, autonomia feminina e o direito de envelhecer como se deseja.
A proposta utiliza elementos do teatro épico de Bertolt Brecht, com distanciamento, gestos, projeções e quebra da ilusão teatral. A cena não busca apenas contar uma história, mas provocar o público a olhar criticamente para as questões apresentadas. O próprio corpo das atrizes é tratado como argumento cênico, revelando dimensões sociais e históricas das personagens.
AVOZS: MULHERES QUE OCUPAM O PALCO
O AVOZS Grupo de Teatro é formado por mulheres 60+ que fazem do teatro um espaço de criação, convivência, memória e resistência. O grupo afirma a presença de mulheres maduras na cena cultural e questiona os lugares socialmente destinados às mulheres à medida que envelhecem.
“Enquanto houver corpo, há luta. Enquanto houver AVOZS, há lembrança.”
A frase sintetiza o espírito da montagem: uma celebração da permanência, da memória e da possibilidade de continuar criando, desejando e ocupando espaços em qualquer idade.
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