Projeto SMART-TB Mobile recebeu prêmio nacional de excelência científica em tuberculose. — Foto: Reprodução
Um projeto desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisa em Epidemiologia e Geoprocessamento do Araguaia, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Barra do Garças, a 512 km de Cuiabá, para ajudar no combate à tuberculose recebeu um prêmio nacional e está vai ser ampliado para todo o Brasil. A tecnologia usa inteligência artificial e dados epidemiológicos para identificar áreas de risco e auxiliar no acompanhamento de pacientes.
O projeto SMART-TB Mobile conquistou o Prêmio Prof. Afrânio Kritski de Excelência Científica em Tuberculose, concedido pela Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (REDE-TB). O reconhecimento ocorreu durante o XIII Workshop Nacional da rede, realizado em agosto, em Brasília.
A iniciativa é coordenada pela professora Josilene Dália Alves, da UFMT – Campus Universitário do Araguaia, e conta com o desenvolvimento tecnológico do professor André da Silva Abade, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), além da participação de estudantes e pesquisadores de outras instituições.
Segundo a professora a iniciativa começou em Mato Grosso e, após os resultados obtidos no estado, passou a ser ampliada para outras regiões do país.
“Esse projeto é uma continuidade de um projeto que a gente fez no Mato Grosso em 2020, encerrado em 2023. E aí a gente conseguiu essa expansão por meio de um financiamento do CNPq. Agora a gente consegue [atuar em] território nacional nessa ferramenta”, destacou.
A ferramenta tem duas frentes. A primeira é uma plataforma web, que reúne gráficos, mapas e dados sobre a tuberculose e permite analisar a distribuição da doença em diferentes municípios e regiões. O sistema também utiliza modelos de inteligência artificial para produzir projeções sobre o comportamento dos casos.
“A gente precisa direcionar isso para onde realmente importa, para onde realmente as ações vão fazer maior diferença. Então a gente tem várias análises de cluster dentro da ferramenta que indicam esses locais de maior risco”, explicou a professora.
Já o aplicativo móvel é voltado para profissionais de saúde que acompanham pacientes com tuberculose. A ferramenta analisa informações clínicas e sociais e estima a possibilidade de três desfechos: cura, interrupção do tratamento ou óbito. O objetivo é auxiliar as equipes a identificar pacientes que podem precisar de acompanhamento mais próximo.
“Mato Grosso foi a nossa primeira experiência que deu super certo. Nosso desafio agora é que essa ferramenta seja utilizada pelo SUS!”, afirmou Josilene.
A versão web já está disponível, enquanto o aplicativo ainda passa por validação e aperfeiçoamentos antes de ser disponibilizado aos profissionais de saúde. O projeto foi desenvolvido a partir de uma base nacional com 755.730 notificações de tuberculose registradas no Brasil entre 2015 e 2024.
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