Foto em porta-retratos da família Gutjahr — Foto: Arquivo pessoal
“Indignação total”. Essas foram as palavras usadas por Luiza Wills, filha do empresário Rolf Gutjahr, uma das 154 vítimas do acidente aéreo que completa 20 anos nesta terça-feira (29), para descrever a sensação sobre a data. Na época da tragédia, Luiza tinha quatro anos.
A filha explicou que o sentimento de indignação está relacionado à falta de punição aos responsáveis pelo acidente.
“É lógico que a tristeza será para sempre, a saudade será para sempre, mas, da situação toda, é indignação. Não tem outra palavra que descreva melhor”, disse Luiza.
O acidente aconteceu em setembro de 2006, quando um Boeing da Gol, que fazia o voo 1907 de Manaus (AM) para o Rio de Janeiro (RJ), colidiu no ar com um jato Legacy e caiu em Peixoto de Azevedo (MT), na terra indígena Capoto-Jarinã. Ninguém a bordo sobreviveu.
Rolf tinha 54 anos, era empresário do ramo industrial e estava em uma viagem a trabalho. Segundo Luiza, o pai viajava para Manaus toda semana para trabalhar e voltava para casa no fim da semana. A família é natural do Paraná.
O relatório final sobre o acidente apontou falhas dos pilotos do Legacy, os norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paladino, e também responsabilizou o controle de tráfego aéreo brasileiro pelo acidente.
Os pilotos do Legacy foram indiciados pelo acidente e, em 2011, condenados pela Justiça brasileira a quatro anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, na modalidade culposa, quando não há intenção de matar.
No entanto, eles nunca cumpriram a pena, pois deixaram o Brasil. Em maio de 2024, a Justiça Federal declarou a prescrição da pena e alegou falta de colaboração da Justiça dos Estados Unidos.
No dia 29 de setembro de 2006, o voo 1907 da Gol saiu de Manaus com destino ao Rio de Janeiro e escala em Brasília por volta de 15h35. O jato Legacy saiu de São José dos Campos, em São Paulo, às 14h51, e iria fazer uma parada em Manaus. Depois, seguiria para os Estados Unidos.
Por volta de 21h, a Gol informou em nota o desaparecimento do Boeing e o choque com o jato. Em seguida, a Força Aérea Brasileira (FAB) e o Corpo de Bombeiros iniciaram as buscas pelas vítimas do acidente. Os primeiros destroços e corpos demoraram a ser encontrados devido ao difícil acesso ao local onde a queda aconteceu, uma área de mata fechada.
Na manhã do dia seguinte, um domingo (30), os militares conseguiram encontrar os destroços do avião e os corpos começaram a ser resgatados. As duas caixas-pretas do Boeing da Gol foram encontrados na segunda-feira, 2 de outubro, e confirmaram a batida com o jato.
O trabalho de resgate durou cerca de 50 dias e envolveu mais de 800 pessoas, entre militares e voluntários. O último corpo a ser encontrado foi o do bancário Marcelo Paixão Lopes, que foi identificado por DNA quase dois meses depois da queda da aeronave.
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