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Câmara Municipal de Cuiabá realiza o registro histórico dos vereadores da capital

A Secretaria de Apoio à Cultura da Câmara Municipal de Cuiabá realizou um minucioso trabalho de pesquisa e atualização histórica com o propósito de registrar, com máxima exatidão que nos apresentou possível, todos os homens e mulheres que exerceram o mandato de vereador na capital, seja como titulares ou suplentes. Para cumprir esse desafio, procedeu-se à leitura das atas das sessões legislativas desde 1947 — um volume expressivo de páginas analisadas em acervos físicos e digitais —, além da consulta complementar a periódicos e processos legislativos da época, conferindo maior precisão aos registros.

Embora o Legislativo cuiabano não tenha sido instituído em 1947, mas sim em 1727, o marco de 1947 foi adotado principalmente por inaugurar o modelo jurídico-institucional da Câmara moderna, estabelecido principalmente pela Constituição Federal de 1946 e a Estadual do ano seguinte. Além disso, a partir dessa data, o nosso acervo arquivístico passou a preservar dados com poucas interrupções. Adiantamos ao leitor a possibilidade de ausências de eventuais suplentes, visto que, mesmo que pequenas, as lacunas temporais podem sim prejudicar o resultado.

Conforme aponta o levantamento, de 1947 até hoje, 325 parlamentares (entre titulares e suplentes) ocuparam cadeiras na Câmara Municipal de Cuiabá ao longo de 21 legislaturas. Para fins de diferenciação, definem-se como titulares aqueles diplomados e eleitos diretamente, enquanto os suplentes correspondem aos candidatos que não se elegeram no pleito principal, mas assumiram o cargo, de forma definitiva ou temporária, no decorrer da legislatura. Embora seja inviável detalhar a trajetória de todos neste artigo, destacam-se alguns nomes marcantes pela singularidade de participação no parlamento cuiabano.

Dos 325 vereadores, apenas 20 são mulheres. Entre as parlamentares, destacamos Ana Maria do Couto, a primeira mulher a presidir a Câmara de Cuiabá, em 1965. Já a pioneira no cargo foi Estevina do Couto Abalén, que, embora tenha ficado apta como suplente na 1ª Legislatura, tomou posse como titular na 2ª Legislatura, ao se eleger com 486 votos. A parlamentar mais longeva entre as mulheres foi Maria Nazareth Hahn, que atuou como titular em sete legislaturas. Das 20 mulheres eleitas na história da Casa, oito integram a legislatura atual, presidida por Paula Pinto Calil, que se somou aos 43 outros parlamentares que presidiram o Legislativo municipal.

Durante a pesquisa, levantou-se também o histórico eleitoral, permitindo identificar os recordistas de votos nas modalidades proporcional e absoluta. Nesse período, foram realizadas 20 eleições, todas livres e relativamente universais — lembrando por exemplo que os analfabetos conquistaram o direito ao voto somente em 1985. A primeira disputa ocorreu em 9 de novembro de 1947, com nove vagas em jogo. O candidato mais votado, José Monteiro de Figueiredo, obteve 996 votos de um total de 5.677 válidos, alcançando impressionantes 17,5% da preferência do eleitorado. Evaldo Duarte de Barros chegou perto desse índice em 1969, ao conquistar 16,5% dos votos válidos (2.750 votos) — marca absoluta que só seria superada em 1996, quando Cuiabá já contava com um eleitorado dez vezes maior. Ambos permanecem até hoje como os campeões de votação proporcional. Já em números absolutos, o recordista é Walter Machado Rabello Júnior, que recebeu 8.683 votos nas eleições municipais de 2004. A marca mais próxima foi atingida por Samantha Iris Belarmino Cristóvão, com 7.460 votos em 2024.

O estudo também mapeou a participação dos parlamentares em disputas eleitorais, inclusive nos pleitos em que não obtiveram êxito. Mário Antônio Moysés Nadaf e Aluízio Leite Paredes foram os que mais concorreram, acumulando oito disputas cada. Com uma participação a menos (sete pleitos), aparecem Benedito Cesarino Lara Fernandes, Edemir Cláudio Xavier (Dr. Xavier), Lueci Ramos Lourenço, Maria Nazareth Hahn, Marcus Fabrício Nunes dos Santos, Osmário Forte Daltro e Wilson Araújo Coutinho.

Há ainda casos de vereadores que se elegeram para o Legislativo estadual ou federal durante o exercício do mandato municipal. No total, 25 parlamentares migraram de poder, sendo Benedito Alves Ferraz o pioneiro nesse movimento, ao conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa em 1978. Para a Câmara dos Deputados, alçaram voo Antero Paes de Barros Neto, Gilson Duarte de Barros, José Augusto da Silva Curvo, Laudnir Lino Rossi e Valtenir Luiz Pereira. No âmbito estadual, desempenharam papéis de relevo, incluindo a presidência da Assembleia Legislativa pelos ex-vereadores Benedito Alves Ferraz (1981/1982) e Roberto França Auad (1987/1988).

Para concluir a análise sobre as transições de cargos, destaca-se a ascensão de alguns ao comando da Prefeitura Municipal de Cuiabá. Essa migração não ocorre em meio ao mandato municipal, visto que as eleições para prefeito e vereador acontecem simultaneamente. Vale destacar que, desde a eleição de Roberto França Auad em 1996, ex-vereadores venceram sete dos oito pleitos disputados para a Prefeitura de Cuiabá: Roberto França Auad, Wilson Pereira dos Santos, Emanuel Pinheiro e Abílio Jacques Brunini Moumer. Além dos eleitos, registram-se aqueles que assumiram a chefia do Executivo interinamente devido à ausência do titular e seu vice enquanto ocupavam a presidência da Câmara.

De agora em diante, trataremos de alguns nomes, não todos, dado a quantidade e o espaço reservado para o artigo. Observamos na pesquisa a recorrência de prenomes populares que reproduz o verificado em âmbito nacional. Entre os homens, identificamos 10 Beneditos, 10 Antônios, 13 Joãos e 16 Josés. Já entre as mulheres, a única repetição ocorre com o nome Maria: Maria do Carmo Moreira Oliveira Avalone e Maria Nazareth Hahn.

Além dos nomes oficiais, os apelidos desempenham papel marcante na documentação, muitas vezes sobrepondo-se. Destacam-se as alcunhas sem qualquer relação aparente com o nome de registro: “Carioca” (Hermes da Silva Filho), “Tampinha” (José Augusto da Silva Curvo), “Dentinho” (Wilson Celso Teixeira), “Xic-Xic” (José da Campos Figueiredo) e “Juca do Guaraná Filho” (Lídio Barbosa — cujo pai, José Maria Barbosa, era conhecido como “Juca do Guaraná Pai”). Outros apelidos derivam do nome oficial: Acelino Duarte Pinheiro (“Lino Pinheiro”), Antônio César da Silva (“Totó César”), Benedito Santana de Arruda (“Dito Labamba”) e Luiz Domingos de Carvalho (“Luiz Vereda”). Há também alcunhas ligadas à profissão ou à base territorial de atuação política: José Monteiro de Figueiredo era chamado de “Dr. Zelito” por ser médico, enquanto Orivaldo Júlio Alves ficou conhecido como “Orivaldo da Farmácia”. No âmbito comunitário/regional, aparecem “Luiz Poção” (Luiz Mário do Espírito Santo Pereira), “Chico Leblon” (Claudir Santos da Rocha) e “Neno do Pascoal Ramos” (Edmirço Batista de Souza).

No quesito longevidade parlamentar, destaca-se Maria Nazareth Hahn, que participou de sete legislaturas como titular, acumulando cerca de 20 anos de atuação na Câmara de Cuiabá. Sobressaem-se também Lueci Ramos Lourenço, Adevair Batista Cabral, Francisco Carlos Amorim Silveira (“Chico 2000”) e Mário Antônio Moysés Nadaf, titulares em cinco legislaturas. Estes dois últimos, somando os períodos em que assumiram como suplentes, estão na sexta legislatura. A vereadora Lueci completou 20 anos de Casa (1997-2016), marco do qual os outros três se aproximam, uma vez que exercem o mandato atualmente.

Por fim, os laços de parentesco revelam a transmissão de liderança e vocação política no município. Na relação entre pais e filhos, encontram-se: Antônio Moysés Nadaf e Mário Antônio Moysés Nadaf; Ranulpho Paes de Barros e Antero Paes de Barros Neto; Benedito Márcio Pinheiro e Emanuel Mussa Amui Pinheiro (“Lilo Pinheiro”); Clóvis Hugueney Neto (“Clovito”) e Vinicyus Corrêa Hugueney; Gonçalo Antunes de Barros e Evaldo Duarte de Barros; Paulo de Campos Borges e Paulo de Campos Borges Júnior; além dos já citados “Juca do Guaraná” Pai e Filho. Há ainda registros de três gerações da mesma família: Justino Malheiros, João Antônio Cuiabano Malheiros e Justino Malheiros Neto. Alguns irmãos fazem parte da história de edilidade, como Faissal Jorge Calil Filho e Paula Pinto Calil, além de Adilson Américo Machado de Oliveira e Oséas Machado de Oliveira — estes dois últimos, inclusive, atuaram como colegas na 18ª Legislatura.

Em síntese, esse levantamento, que resgata a trajetória desses 325 homens e mulheres, vai além do registro estatístico. Ao documentar e divulgar a passagem de alguns desses parlamentares — titulares e suplentes — pela Câmara, percebemos a existência de uma pluralidade de pessoas que acabam refletindo os perfis e desejos de todos os cuiabanos. Resolvemos ilustrar o artigo com esta fotografia – colorida artificialmente – onde aparecem 8 dos 9 vereadores da 2ª Legislatura (1951-1954), sob a presidência de Severiano Benedito de Almeida. Esses parlamentares já sabiam da responsabilidade que tinham em melhorar a vida da população da capital, pensamento que perdura até hoje.

O Noroeste

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