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Projeto de MT que identifica pessoas desaparecidas é finalista em prêmio nacional de cidadania e Justiça

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O projeto “Lembre de Mim”, desenvolvido pelo Instituto de Identificação da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec-MT), foi escolhido como finalista na categoria Justiça e Cidadania da 23ª edição do Prêmio Innovare, em 2026. O resultado foi publicado na última segunda-feira (5) e a premiação está marcada para o dia 3 de dezembro.

O prêmio reconhece e divulga iniciativas que promovem mudanças no sistema de Justiça brasileiro, mesmo sem depender de alterações na legislação. Nesta edição, o prêmio conta com categorias têm tema livre: Tribunal, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Juiz, Ministério Público, Defensoria Pública, Advocacia e Justiça e Cidadania.

O projeto, em atividade desde novembro de 2024, utiliza técnicas de ciência forense para identificar pessoas mortas que permanecem sem identificação e ajudar na localização de familiares de pessoas desaparecidas. A iniciativa criou uma rotina de revisão de casos antigos de pessoas falecidas não identificadas, que permaneciam arquivados no acervo físico do Instituto Médico Legal (IML), em Cuiabá. Antes da iniciativa, não havia uma metodologia para reanalisar esses casos.

A equipe passou a integrar técnicas de necropapiloscopia, tecnologias biométricas e procedimentos padronizados para analisar os registros e tentar identificar as vítimas. Entre as ferramentas utilizadas estão sistemas automatizados de identificação por impressões digitais e reconhecimento facial. A tecnologia permite comparar os registros disponíveis com grandes bases de dados biométricos.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a criação de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) também ajudou a organizar as etapas do trabalho, reduzir erros e retrabalhos e tornar o processo de identificação mais rápido.

Resultados alcançados em um ano

Em um ano de execução, 130 casos foram revisados. Desse total, 60 pessoas foram identificadas, o que representa uma taxa de identificação de 46,2%. O tempo médio para chegar à identificação foi de aproximadamente 13 dias.

A iniciativa é coordenada pelos papiloscopistas Simone Mariana Delgado, André Silva, André Lopes Ruiz Talhari, Alexandre Silva Brasil, Andrea Ferreira de Oliveira, Larissa Nascimento Ribeiro, Joselaine Duarte Gonzaga e Wellington Alves de Barros, além dos técnicos em necrópsia Lowrrayny Franchesca de Paula e Valter Ferrari Castro.

Para Simone, chegar à final do prêmio é motivo de orgulho e felicidade para a equipe. Segundo ela, além do reconhecimento, a indicação permite ampliar o alcance do projeto e dar mais visibilidade à causa das pessoas desaparecidas.

“Em apenas um ano de projeto, nós revisamos 130 casos de pessoas falecidas não identificadas, que já haviam sido sepultadas em cemitérios públicos, e conseguimos identificar 60 pessoas. Localizamos 32 famílias. Mais que números, são dezenas de famílias, pais, mães, irmãos, filhos, tios, tias, que finalmente tiveram respostas sobre o paradeiro de seus entes desaparecidos”, contou Simone.

 

Projeto do TJMT também é finalista

A Expedição Justiça Sem Fronteiras, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), também foi escolhida como finalista do prêmiona Categoria Tribunal. A iniciativa leva serviços de justiça, saúde, cidadania, educação, cultura e assistência social a comunidades em situação de vulnerabilidade.

Coordenado pela Justiça Comunitária, o projeto atua de forma itinerante e reúne diferentes instituições para facilitar o acesso a serviços essenciais. A iniciativa também atende populações indígenas e busca reduzir barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso a direitos.

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