O vazio sanitário do algodão começa no dia 15 de outubro e segue até 14 de dezembro de 2026 na Região 2 de Mato Grosso, período em que os produtores devem manter as propriedades livres de plantas de algodão que possam representar risco fitossanitário. A medida é adotada para reduzir a população de pragas, especialmente o bicudo-do-algodoeiro, uma das principais ameaças à cultura.
A orientação é do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT). Segundo o engenheiro agrônomo Leandro Oltramari, o cumprimento do vazio sanitário é fundamental para preservar a produtividade e a sustentabilidade da cotonicultura no Estado.
O período de vazio sanitário tem como principal objetivo interromper o ciclo de sobrevivência e reprodução das pragas entre uma safra e outra. Para isso, o produtor deve realizar a destruição dos restos culturais e das plantas de algodão remanescentes na propriedade.
“É fundamental que o produtor realize a destruição dos restos culturais e aproveite o período de chuva para fazer esse manejo”, explica Oltramari.
Vazio sanitário do algodão: quais são as datas?
Na Região 2 de Mato Grosso, o vazio sanitário começa em 15 de outubro de 2026 e termina em 14 de dezembro de 2026.
A partir de 15 de dezembro, a semeadura do algodão volta a ser permitida, respeitando as demais regras e recomendações fitossanitárias.
A divisão do Estado em regiões considera as características da produção e do calendário agrícola. A Região 2 abrange municípios importantes para a produção de algodão, entre eles Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso.
Na prática, o calendário também permite que o produtor organize a sucessão de culturas. Em muitas propriedades, o algodão é cultivado após a soja, que exerce papel importante no fluxo de caixa da atividade agrícola.
Apesar da liberação ocorrer em dezembro, Oltramari explica que grande parte das áreas destinadas ao algodão costuma ser semeada posteriormente, principalmente entre o início e o final de janeiro, considerando a necessidade de disponibilidade hídrica e o ciclo da cultura.
Por que o vazio sanitário é importante?
O principal alvo do período é o bicudo-do-algodoeiro, praga considerada uma das mais prejudiciais da cotonicultura.
O inseto apresenta características que dificultam seu controle. Ele pode permanecer protegido em estruturas da própria planta e possui capacidade de sobreviver durante o período seco, entrando em uma condição conhecida como diapausa.
Com a chegada da nova safra, os insetos sobreviventes podem voltar a colonizar as lavouras e iniciar um novo ciclo de reprodução.
Por isso, quanto menor for a população da praga durante o período de vazio sanitário, menor tende a ser a pressão sobre a lavoura na safra seguinte.
Produtor deve destruir plantas remanescentes
A recomendação do Indea é que o produtor não espere o início da fiscalização para realizar o manejo.
A destruição das plantas e dos restos culturais deve ser feita de maneira eficiente, evitando que plantas voluntárias ou remanescentes permaneçam na propriedade e sirvam de abrigo ou alimento para o bicudo.
O período de chuvas também é considerado estratégico para a realização desse trabalho, já que as condições favorecem determinadas operações de manejo.
Além da destruição dos restos culturais, o produtor deve seguir as orientações do responsável técnico e utilizar os produtos fitossanitários conforme receituário agronômico, quando houver recomendação.
Armadilhas ajudam a monitorar o bicudo
Outra medida importante é o monitoramento da presença do bicudo-do-algodoeiro.
De acordo com o engenheiro agrônomo, a instalação de armadilhas antes da semeadura do algodão permite identificar os locais onde a praga apresenta maior ocorrência.
A partir dessas informações, o produtor consegue acompanhar a evolução da população do inseto e adotar medidas de controle de maneira mais direcionada.
O monitoramento é especialmente importante porque o bicudo pode permanecer protegido em estruturas da planta, dificultando o alcance dos inseticidas.
Como será feita a fiscalização?
O Indea deverá utilizar estratégias de fiscalização para verificar o cumprimento do vazio sanitário.
Segundo Oltramari, as equipes organizam previamente rotas de fiscalização, buscando otimizar o deslocamento e os recursos utilizados nas ações.
Os profissionais também poderão utilizar drones como ferramenta auxiliar durante as fiscalizações.
O trabalho, porém, não ficará restrito às lavouras. A fiscalização pode alcançar propriedades, áreas de cultivo, algodoeiras e estradas, justamente para identificar plantas de algodão que tenham permanecido no campo e possam contribuir para a disseminação da praga.
Produtor pode ser multado?
Sim. O descumprimento das normas pode resultar em autuação.
Caso a equipe técnica do Indea identifique uma irregularidade, o produtor poderá receber multa de 30 UPFs, acrescida de 2 UPFs por hectare, conforme a situação e a área envolvida.
Além da penalidade financeira, o produtor poderá ser notificado para realizar a destruição das plantas de algodão que apresentem risco fitossanitário.
A orientação do órgão é que os produtores façam o manejo preventivamente, evitando chegar ao período de fiscalização com plantas remanescentes na propriedade.
Controle do bicudo é responsabilidade de toda a cadeia
O algodão possui um custo de produção elevado em comparação com culturas como soja e milho. Por isso, uma infestação significativa pode gerar impactos econômicos importantes para o produtor.
Oltramari alerta que a falta de medidas fitossanitárias pode comprometer o desempenho da lavoura e gerar prejuízos expressivos.
“É fundamental que o produtor cumpra o vazio sanitário e siga as orientações do engenheiro agrônomo e do profissional responsável”, reforça.
O controle do bicudo, portanto, começa antes mesmo da implantação da nova lavoura. A combinação entre destruição dos restos culturais, vazio sanitário, monitoramento por armadilhas e controle químico quando recomendado é considerada essencial para reduzir a pressão da praga e preservar a produção de algodão em Mato Grosso.