O conselheiro Waldir Júlio Teis tomou posse como presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) nesta terça-feira (3). Ele assume o cargo após o então presidente Sérgio Ricardo de Almeida, ser preso durante uma operação da Polícia Federal, na quinta-feira (29). A investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos e pagamentos a servidores da instituição.
Na segunda-feira (2), ainda como vice-presidente, Waldir Teis determinou que os processos que estavam sob responsabilidade dos conselheiros afastados fossem redistribuídos aos auditores substitutos de conselheiro Luiz Henrique Lima, Luiz Carlos Pereira e Isaías Lopes da Cunha.
A cerimônia de posse contou com a presença dos conselheiros Antonio Joaquim e Campos Neto, do procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), William Brito Júnior, e dos três auditores.
Trajetória
Natural de Tayó, em Santa Catarina, Waldir Teis nasceu em 21 de outubro de 1953. É formado em Direito pelo Centro de Ensino Superior de Rondonópolis (Cesur) e mestre em Função Social do Direito pela Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp).
Antes de ingressar no serviço público, trabalhou como auxiliar administrativo, empresário do setor de contabilidade e contabilista. Também foi assessor jurídico tributário e societário do Grupo Amaggi, entre 1979 e 2002.
Entre 2003 e 2007, ocupou o cargo de secretário de Estado de Fazenda de Mato Grosso. Em 14 de dezembro de 2007, ingressou no TCE-MT por indicação do Poder Legislativo.
No tribunal, foi vice-presidente no biênio 2012/2013 e presidente entre 2014 e 2015. Também ocupou os cargos de ouvidor-geral e supervisor da Escola Superior de Contas. Antes da posse, Teis era vice-presidente do TCE-MT. Ele também preside a Comissão Permanente de Segurança Pública do órgão.
Conforme os autos, a investigação começou após uma denúncia de que o conselheiro Sérgio Ricardo, que assumiu a Presidência do TCE-MT em 2024, teria editado portarias para suspender pagamentos de contratos sob a justificativa de contenção orçamentária, mas mantido empresas selecionadas na lista de pagamentos.
Dados extraídos do Portal da Transparência apontariam uma contradição entre a justificativa de restrição orçamentária e a evolução dos pagamentos mensais. Segundo a investigação, mesmo durante o período de contenção, os valores teriam aumentado de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões por mês.
De acordo com dados utilizados pela Polícia Federal, a receita estadual teria aumentado de aproximadamente R$ 37 bilhões, em 2023, para R$ 39 bilhões, em 2024, e R$ 42,696 bilhões, em 2025.
Conforme a investigação apesar do contexto de suspensão contratual, algumas empresas teriam mantido ou aumentado os recebimentos.
Entre as citadas estão prestadoras de serviços de fornecimento de mão de obra para diversas atividades, como limpeza, conservação, copeiragem, transporte, manutenção, serviços elétricos, recepção e apoio administrativo, além de empresas de publicidade e propaganda.
Foram presos o além do presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo de Almeida, a chefe de gabinete Roseli Loss e os advogados Grhegory Paiva Pires, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 5,07 milhões em dinheiro, entre reais e moedas estrangeiras, como dólares, euros, libras esterlinas e pesos argentinos. Também foram recolhidos 31 veículos, 16 armas, 6.512 munições, 167 relógios, 112 garrafas de vinho e 27 celulares. Ao todo, seis pessoas foram presas.
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