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“deveriam cuidar dos buracos da cidade”

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB), reagiu nesta quarta-feira (16) à moção de repúdio aprovada pela Câmara Municipal de Cuiabá contra os deputados estaduais que derrubaram o veto do governador Mauro Mendes (União) à manutenção de mercadinhos em presídios do estado.

A medida aprovada pelos vereadores, que teve como principal alvo o deputado Lúdio Cabral (PT), provocou indignação entre parlamentares estaduais. Para Max Russi, o gesto da Câmara é claramente político e tem objetivo de autopromoção de vereadores que buscam vaga na Assembleia Legislativa em 2026.

“Tem muitos vereadores lá que vão disputar a Assembleia no próximo ano. O que estão fazendo é procurar todos os argumentos possíveis para desmerecer quem está na Assembleia e se promover. Isso faz parte. O vereador que propôs isso já tentou se eleger e não conseguiu”, disparou Max, em coletiva à imprensa.

A moção foi aprovada após a Assembleia ter revertido, em votação secreta, o veto de Mendes ao artigo da lei que permite o funcionamento de pequenos comércios internos em unidades prisionais. O governo alegava que os estabelecimentos poderiam facilitar ações de facções criminosas e a lavagem de dinheiro, mas a Assembleia defendeu que a venda de itens básicos como sabonetes, pastas de dente e absorventes deve ser permitida.

Max Russi classificou o posicionamento dos vereadores como exagerado e afirmou que o Legislativo municipal deveria focar nos problemas da capital. “Já pensou se eu começasse a discutir a Câmara dos vereadores aqui? Não é o nosso papel. A Câmara tem que cuidar da limpeza da cidade, dos buracos, da abertura do hospital infantil. É isso que Cuiabá precisa”, afirmou.

O presidente da AL também rechaçou as críticas à votação secreta, defendendo que o modelo está previsto no regimento e foi utilizado dentro da legalidade. “Foi uma votação regimental. Não foi unanimidade, foram 14 votos. A Assembleia não autorizou a venda de nada supérfluo. Muito pelo contrário. Se aparecer sorvete, Nutella ou chinelo diferenciado, nós vamos cobrar. Nós temos uma Comissão de Segurança que vai fiscalizar”, garantiu.

Max reforçou que a intenção da derrubada do veto não é transformar os presídios em lojas, mas garantir o mínimo de dignidade aos internos, especialmente para mulheres presas. “Tem gente que acha que mulher tem que ficar lá sem absorvente, sem escovar os dentes, sem usar sabonete. Isso é desumano”, concluiu.

A polêmica sobre os mercadinhos em presídios se intensificou após a divulgação de relatórios do governo estadual indicando a venda de produtos de luxo nas unidades prisionais, o que levou o governador a vetar o artigo da nova lei. A Assembleia, no entanto, derrubou o veto no dia 9 de abril, reacendendo o debate sobre a gestão do sistema carcerário e os limites da dignidade mínima no cumprimento de penas.

O Noroeste

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