Categories: Politica MT

WF preside audiência sobre Moratória da Soja e defende segurança jurídica para o produtor rural


A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado promoveu, nesta quarta-feira (23), uma audiência pública para discutir os impactos da Moratória da Soja e a suspensão da Lei nº 12.709/2024 do Estado de Mato Grosso, por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADI 7.774. A ação alega que a norma estadual fere princípios como a livre iniciativa e a proteção ambiental. A sessão foi presidida pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), autor do requerimento, que defendeu o produtor rural brasileiro, em especial o mato-grossense, diante das pressões de acordos internacionais que, segundo ele, desrespeitam a legislação nacional.

“Não somos contra compromissos ambientais, mas não aceitaremos que acordos privados criem barreiras comerciais disfarçadas. Precisamos proteger quem cumpre a lei brasileira e investe em sustentabilidade, não penalizá-los”, afirmou o senador. Ele criticou a interferência de países como a França nas regras de produção agrícola do Brasil e pediu a investigação sobre possíveis subsídios externos que favorecem grandes tradings internacionais em detrimento da produção nacional. “Precisamos consultar o Banco Central para entender se há subsídios externos favorecendo as grandes tradings em prejuízo do nosso produtor”, declarou.

Wellington destacou ainda que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo, representada pelo Código Florestal, e que a imagem da produção brasileira precisa ser defendida com firmeza. “Temos um Código Florestal que é o mais exigente do mundo. Precisamos ter orgulho disso e defender quem cumpre essa lei. Nosso objetivo é mostrar que o Brasil tem uma produção sustentável, moderna e alinhada com as exigências globais — sem abrir mão da nossa soberania.”

Parlamentares de Mato Grosso também participaram da audiência, entre eles o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB-MT), que condenou a imposição da moratória. Ele reforçou que os produtores do estado cumprem a legislação e são injustamente excluídos do mercado. “A soberania e a autonomia do estado de Mato Grosso devem ser respeitadas. Nossos produtores preservam mais de 62% do território estadual e não podem ser penalizados por pressões externas”, disse.

A deputada estadual Janaina Riva (MDB-MT) salientou a importância da lei estadual que barra incentivos fiscais para empresas que aderem à Moratória da Soja e da Carne, destacando que a medida visa proteger municípios pobres e jovens do estado. “Precisamos de políticas que estimulem o crescimento e não que travem o progresso de um estado tão rico, mas ainda com tantas carências.”

Representando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), André Dobashi fez duras críticas à Moratória da Soja. Segundo ele, o acordo foi imposto sem ouvir os produtores e não trouxe os resultados esperados. “Se fosse eficiente, o desmatamento ilegal já teria sido resolvido. Se fosse justa, não penalizaria quem cumpre a lei. Se fosse legítima, teria sido votada aqui por este Parlamento.”

Do lado da indústria, André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), citou o papel histórico da moratória, mas defendeu ajustes. “Precisamos avançar para um modelo que contemple todos os atores, incluindo produtores e indústria. A conciliação entre sustentabilidade e produção agropecuária é o caminho.”

Já Frederico Favacho, representante da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), defendeu a moratória como medida emergencial que evitou embargos internacionais e manteve o mercado europeu acessível ao Brasil. “Não somos inimigos dos produtores. Somos parceiros. Há uma relação de simbiose entre nós. O mercado internacional se impõe — justa ou injustamente — e precisamos enfrentá-lo com responsabilidade e união.”

Na visão de Fabrício Moraes, diretor da Aprosoja Brasil, a moratória é uma imposição injusta e que interfere na soberania e liberdade econômica do país. “A moratória precisa deixar de ser uma obrigação e passar a ser uma escolha do produtor. O Brasil já preserva 33% do seu território dentro das propriedades rurais.”

Lucas Costa, presidente da Aprosoja MT, alertou que os pequenos produtores são os mais afetados. Ele pediu revisão nos critérios da moratória e políticas que valorizem a regularização fundiária. “A moratória está tornando o Brasil mais pobre e dificultando a arrecadação de recursos para áreas essenciais como saúde e educação.”

Vilmondes Tomain, presidente da Famato, reforçou que os produtores rurais são guardiões do meio ambiente e não podem ser tratados como vilões. “A maior parte da preservação em Mato Grosso ocorre dentro das propriedades privadas. Cumprimos a lei e queremos continuar produzindo com responsabilidade.

Ao final da audiência, Wellington Fagundes reafirmou que o debate continuará. “Essa audiência não se encerra hoje. O assunto é complexo e vamos continuar debatendo. Nosso compromisso é com o Brasil que produz, preserva e tem orgulho de ser referência em sustentabilidade no mundo”, concluiu.

O Noroeste

Recent Posts

PL de autoria de Max Russi reconhece Folia de Reis como patrimônio histórico de MT

O texto ainda reconhece a cidade de Dom Aquino como a capital mato-grossense das Folias…

10 horas ago

Duas cidades de Mato Grosso entram no ranking dos 50 destinos mais procurados do Brasil

Ranking considera diversos indicadores, como tendências de mídia, conectividade aérea, acessibilidade, fluxo turístico e presença…

11 horas ago

Ex-vereador é uma das vítimas fatais do acidente entre veículos de passeio e carreta em VG

Foram identificados os dois motoristas que morreram no grave acidente registrado na manhã desta sexta-feira…

11 horas ago

Max Russi afirma que CPI da Saúde deve ser questionada na Justiça I MT

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), acredita que a instalação da CPI…

11 horas ago

Jovem fica presa em bueiro e é resgatada pelo Corpo de Bombeiros em Cuiabá; veja vídeo

Estudante de jornalismo da UFMT relatou dor e inchaço, mas exames não indicaram fratura. Um…

11 horas ago

Colega é preso suspeito de matar capataz por colocar pouco sal nos cochos de fazenda em MT

A fazenda fica localizada a 184 km do centro da cidade. Após o crime, o…

11 horas ago