Categories: Politica MT

STF determina devassa em “emendas PIX” e cita caso de Mato Grosso como exemplo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (9) o reforço na fiscalização das chamadas “emendas PIX” — modalidade de repasse direto de recursos federais a estados, municípios e entidades do terceiro setor, frequentemente realizada sem controle efetivo sobre a destinação dos valores.

A decisão foi proferida no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, proposta pelo PSOL, que questiona a falta de transparência desses repasses. Segundo Dino, auditorias realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram falhas graves na gestão dos recursos, como ausência de prestação de contas, uso de contas bancárias sem identificação clara do destino do dinheiro e movimentação por chamadas “contas de passagem”, o que dificulta o rastreamento da aplicação dos valores públicos.

Entre os casos citados pelo ministro está o do Estado de Mato Grosso, que teria transferido R$ 5 milhões oriundos de uma emenda parlamentar para a conta única do governo estadual antes mesmo da execução do plano de trabalho. Na avaliação de Dino, esse tipo de movimentação impede o controle sobre a aplicação correta dos recursos públicos. Situações semelhantes foram verificadas nos municípios de Zabelê (PB), Epitaciolândia (AC) e Arari (MA).

“O orçamento público não pode ser tratado como recurso sem dono, sujeito a desvios ou diluído em práticas que afrontam a rastreabilidade dos gastos”, escreveu o ministro na decisão.

Como medida imediata, Dino determinou que a CGU intensifique as auditorias, inclusive com inspeções presenciais, e apresente um plano com metas, prazos e mecanismos para garantir maior controle dos repasses. Também solicitou que o Tribunal de Contas da União (TCU) e a CGU avaliem soluções tecnológicas propostas pelo Banco do Brasil para assegurar a rastreabilidade dos recursos. A Caixa Econômica Federal teve o prazo prorrogado para adotar medidas semelhantes.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada para analisar os relatórios da CGU e, se necessário, apurar a responsabilidade de gestores públicos envolvidos em eventuais casos de improbidade administrativa.

O despacho ainda reconheceu que o Estado do Tocantins já deu início ao cumprimento de parte das determinações anteriores ao editar um decreto voltado à transparência no uso dessas emendas.

Proposta em 2022, a ADPF 854 segue em tramitação e tem como objetivo principal combater o uso irregular das emendas parlamentares, reforçando a necessidade de transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

O Noroeste

Recent Posts

Missa, escultura e show marcam evento pelos 35 anos da visita do papa a Cuiabá; saiba mais

Celebração será nesta sexta-feira (16), no Sesi Papa, com entrada gratuita e expectativa de reunir…

26 minutos ago

Menina de 10 anos morre após arma cair e disparar dentro de casa em MT

Criança estava com o irmão em um quarto onde havia uma arma carregada, segundo o…

40 minutos ago

Gallo vê rumores sobre vaga no TCE como “descortesia” com Waldir Teis e nega articulações

O ex-secretário de Estado de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo, criticou publicamente as recentes…

50 minutos ago

Governo de MT atinge 71% de execução nas metas prioritárias do primeiro semestre de 2026

O Governo de Mato Grosso registrou desempenho médio de 71% no cumprimento das metas físicas…

51 minutos ago

Comissão recebe secretária nomeada para o Bem-Estar Animal

A Comissão dos Direitos dos Animais (CDA) da Câmara Municipal de Cuiabá realizou, nesta quarta-feira…

3 horas ago

Eduardo Magalhães defende implantação de ecopontos para combater descarte irregular em Cuiabá

O vereador Eduardo Magalhães (Republicanos) defende a implantação efetiva de ecopontos em Cuiabá como alternativa…

3 horas ago