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Garimpeiros procurados após tiros com Ibama na Sararé (MT) são investigados por destruição na Yanomami

Parte dos garimpeiros que trocaram tiros com agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Terra Indígena de Sararé, em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, são investigados pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

A imprensa, o coordenador do Grupo Especial de Fiscalização do Ibama (GEF) Felipe Finger explicou que os garimpeiros se espalharam em diferentes estados após o decreto de emergência humanitária na Yanomami.

“Esses garimpeiros se espalharam e parte deles veio para a Sararé”, contou.

O território indígena de Sararé é um dos mais devastados do país. Finger disse que a escolha do destino pelos garimpeiros leva em conta o volume de ouro e o risco da fiscalização das autoridades na região, o que tornou Sararé atrativa aos criminosos.

👉 A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima, onde está a maior parte. Cerca de 32 mil indígenas vivem na região, em 392 comunidades.

“Vários fatores influenciam [essa movimentação], o primeiro é onde tem ouro. E a pressão de fiscalização influencia muito para onde [os garimpeiros] vão. Houve um grande fluxo de garimpeiros que saíram da Yanomami, com as ações que iniciaram em 2023 depois de ser decretado emergência”, disse.

Além disso, ele também ressaltou que outros grupos criminosos também marcam presença em Sararé, que vieram principalmente do Pará. “E suspeito que eles sejam os mais poderosos”, acrescentou.

Sararé

A operação do Ibama, junto com outras autoridades, entraram em confronto com criminosos que têm ligação com Comando Vermelho, na quinta-feira (25). Desde então, eles são procurados na região.

Durante as buscas pelos suspeitos no domingo (28), os policiais encontraram mais um acampamento em outro ponto de exploração ilegal. No local estava um esconderijo embaixo da terra, como se fosse um bunker, que estava recheado de cervejas e armas.

A operação coordenada pelo Ibama em parceria com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás cumpre uma determinação da Justiça Federal para expulsar os garimpeiros ilegais numa ação chamada de desintrusão, que não tem prazo para encerrar.

🔍 Desintrusão é um termo usado para explicar o processo de retirada de invasores de uma terra indígena demarcada e homologada. A operação é coordenada pelo governo federal junto com outras autoridades, como PF, Ibama e Funai.

Dos 67 mil hectares, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.

Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas que atuam dentro do território indígena, o que gera conflitos armados.

Em quase dois meses de operação já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e estruturas diversas para suporte logístico das atividades ilegais.

Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé.

Força-tarefa combate garimpeiros ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país — Foto: Reprodução JN

O Noroeste

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