Um grupo de garimpeiros foi visto fugindo da Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá, na madrugada desta terça-feira (30) após dois dias de confronto com a Polícia Federal e outras forças de segurança que atuam na região. (Veja vídeo abaixo).
O território se tornou um dos mais devastados do país e impactado pela exploração ilegal de ouro.
Durante dois dias em campo, equipes da PF e outras forças de segurança entraram em confronto com garimpeiros. Dois suspeitos ficaram feridos, um em cada dia, sendo um homem e uma mulher. Nenhum policial ficou ferido.
Na quinta-feira (25), agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que participam da operação, entraram em confronto com criminosos que têm ligação com Comando Vermelho.
O local é chamado pelos suspeitos de Garimpo do 14, segundo os agentes. Há um ano, no mesmo lugar, outra equipe havia entrado em confronto com criminosos, e cinco morreram no local.
Nas buscas no território, os policiais e agentes encontraram túneis onde os criminosos se escondiam. No local, foi encontrado uma espécie de bunker recheado de cervejas e armamentos.
A ação ocorreu no âmbito da Operação Xapiri, deflagrada para combater o garimpo ilegal e efetuar a desintrusão de invasores, em andamento na Terra Indígena Sararé desde 1º de agosto de 2025.
Durante os últimos dois dias, a PF destruiu motores, geradores de energia, estruturas de apoio e túneis subterrâneos utilizados na extração ilegal. As equipes também apreenderam armas de fogo, munições, grande quantidade de explosivos, minério de ouro e mercúrio.
A operação coordenada pelo Ibama em parceria com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás cumpre uma determinação da Justiça Federal para expulsar os garimpeiros ilegais numa ação chamada de desintrusão, que não tem prazo para encerrar.
🔍 Desintrusão é um termo usado para explicar o processo de retirada de invasores de uma terra indígena demarcada e homologada. A operação é coordenada pelo governo federal junto com outras autoridades, como PF, Ibama e Funai.
Dos 67 mil hectares, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.
Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas que atuam dentro do território indígena, o que gera conflitos armados.
Em quase dois meses de operação já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e estruturas diversas para suporte logístico das atividades ilegais.
Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé.
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