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O que é cidadania digital?

Vivemos em uma era hiperconectada, onde a tecnologia molda nossas interações e ações seja no físico ou digital. A cidadania digital surge como a prática de exercer direitos e deveres no ambiente online com consciência, responsabilidade, ética e segurança, garantindo que a tecnologia continue sendo ferramenta para o bem-estar coletivo.

Mas o que define a cidadania digital?

Cidadania digital é o conjunto de normas, comportamentos e responsabilidades que orientam o uso ético e seguro da internet e de tecnologias digitais. Em 2025, com a inteligência artificial, redes 5G e dispositivos IoT (Internet das Coisas) integrando-se ainda mais ao cotidiano, ser um cidadão digital significa navegar nesses espaços com respeito aos outros e a si mesmo. Isso inclui proteger a privacidade, combater a desinformação e promover interações positivas.

E quais são esses Direitos e deveres do cidadão digital

Direitos: Privacidade, segurança de dados, acesso equitativo à tecnologia e liberdade de expressão responsável. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no Brasil, por exemplo, reforça o direito à proteção de informações pessoais.

Deveres: Não compartilhar fake news, respeitar a propriedade intelectual, evitar discursos de ódio e proteger a segurança digital de si e dos outros.

Segundo um estudo da UNESCO (2024), 70% dos jovens entre 13 e 17 anos já enfrentaram algum tipo de risco online, como cyberbullying ou exposição a conteúdos inadequados. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o uso excessivo de telas está ligado a problemas de saúde mental, como ansiedade e insônia. A cidadania digital é, portanto, uma ferramenta para mitigar esses riscos e promover um ambiente online mais saudável.

Como formar cidadãos digitais conscientes?

A educação para a cidadania digital deve ser um esforço conjunto entre família, Educação, trabalho,  e governos. Cada esfera tem um papel específico e muitos especialistas concordam que para ser um cidadão digital com senso critico, precisa-se trabalhar o offline primeiro e depois as tecnologias. Mas como começamos?.

No lar

Espaços sem telas: Estabeleça áreas da casa livres de dispositivos, como quartos e salas de jantar. Um estudo da Universidade de Stanford (2024) mostra que a exposição a telas antes de dormir reduz a qualidade do sono em 30%, impactando o aprendizado e a saúde e na produtividade.

Diálogo presencial: Promova conversas cara a cara durante as refeições para estimular o pensamento crítico e nele que nos entendemos como seres ativos na sociedade.

Controle parental: Pais devem monitorar o conteúdo acessado por crianças, usando ferramentas como filtros de conteúdo e limites de tempo, disponíveis em plataformas como Google Family Link por exemplo, mas porque isso? As ferramentas digitais foram criadas para cérebros adultos e quanto menos interferência das telas mais o cérebro dos menores vai ser estimulado a conviver e estimular a criatividade.

Na escola

Educação digital: Professores devem ensinar os alunos a usar a internet como ferramenta de pesquisa crítica, distinguindo fontes confiáveis de desinformação. Programas como o “Be Internet Awesome” do Google, adaptado para o Brasil em 2024, ajudam a ensinar ética digital.

Direitos e deveres online: Escolas devem incluir no currículo discussões sobre LGPD, privacidade e os impactos de comportamentos digitais, preparando jovens para serem criadores de conteúdo, não apenas consumidores passivos.

No trabalho

Sincronismo e flexibilidade: Empresas devem alinhar regras claras para o uso de tecnologia, promovendo equilíbrio entre produtividade e bem-estar. Um relatório da Gartner (2025) indica que 60% das empresas que oferecem flexibilidade digital retêm mais talentos, especialmente pais e mães com filhos.

No trânsito

Segurança viária: A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET) relata que o uso de celulares ao dirigir contribuiu para 35% dos acidentes fatais no Brasil em 2024. Campanhas baseadas no conceito de “neurônio espelho”  como vídeos mostrando o impacto emocional de acidentes causados por distração podem engajar jovens e pedestres a evitarem o uso de telas em movimento.

Educação preventiva: Iniciativas como o programa “Olhos na Estrada” (lançado em 2025 pelo Detran-SP) incentivam a conscientização sobre os perigos de interagir com dispositivos em vias públicas.

Para que a cidadania digital floresça, é necessário superar barreiras como a desigualdade de acesso à tecnologia, já que 20% da população brasileira ainda não tem conexão estável à internet, segundo o IBGE (2024). Além disso, governos e empresas devem investir em infraestrutura e educação para garantir que todos tenham as ferramentas e o conhecimento necessários para participar da sociedade conectada.

Ser um cidadão digital em 2025 significa integrar a tecnologia ao cotidiano com responsabilidade e propósito. Desde o lar até o trânsito, cada ação conta para construir uma sociedade que de fato entenda que a tecnologia só é aliada se o senso critico for estimulado.

Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia

O Noroeste

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