O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) recomendaram que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adote medidas para reforçar a segurança das barragens e reduzir os impactos ambientais causados pelas hidrelétricas da bacia do rio Teles Pires, em Mato Grosso. O documento foi assinado na última sexta-feira (3).
A recomendação inclui as usinas de Colíder, Sinop, São Manoel e Teles Pires, e foi feita após investigações sobre os efeitos ambientais e sociais desses empreendimentos na região.
A medida pede que agência não autorize novas usinas nem renove concessões na bacia sem antes avaliar e compensar os impactos causados pelas hidrelétricas já em operação. A recomendação também pede a revisão dos contratos de concessão, para incluir cláusulas ambientais mais específicas para as empresas responsáveis.
A Aneel tem 20 dias, contados a partir do recebimento da recomendação, para informar se vai atender às medidas.
Segundo os órgãos, o objetivo é garantir que a geração de energia cumpra a função socioambiental, evitando danos à biodiversidade, às comunidades locais e ao equilíbrio ecológico da bacia.
1. Suspensão de novas autorizações e renovações:
2. Revisão dos contratos de concessão:
3. Monitoramento ambiental:
4. Protocolos de operação:
5. Mitigação e compensação de danos:
6. Segurança das barragens:
7. Fiscalização da Aneel:
Segundo o MPF e o MPMT, a ausência de fiscalização dos impactos das usinas compromete a segurança ambiental e expõe comunidades ribeirinhas e povos indígenas a riscos de ordem socioambiental e cultural.
Em agosto deste ano, moradores de Itaúba, a 599 km de Cuiabá, relataram a morte de peixes e dificuldades na navegação pelo Rio Teles Pires após a Eletrobras realizar um procedimento de segurança na Usina Hidrelétrica Colíder.
A ação envolveu o rebaixamento do nível do reservatório da usina, o que provocou reflexos no volume de água que segue em direção ao município vizinho.
Em nota, a Eletrobrás informou que adquiriu a usina em 30 de maio deste ano e, desde então, adotou todas as providências necessárias para que a usina volte à condição normal. Segundo a empresa, equipes de diversas áreas estão mobilizadas para garantir que o impacto da operação seja o menor possível.
Conforme relatório do MP, foram recolhidos mais de 22 mil peixes vivos e 1.541 mortos após o processo de rebaixamento do reservatório. Espécies como carás, tuviras, mussuns e lambaris foram encontradas em avançado estado de decomposição, em poças isoladas com alta temperatura e baixa concentração de oxigênio.
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