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PF diz que PM aposentado escondeu celular em banheiro de lobista durante operação

Aguirre Talento/ESTADÃO – A viatura da Polícia Federal entrou por volta das 6h da manhã da última sexta-feira (3) em um condomínio residencial no interior de Mato Grosso. Quando os policiais avistaram a casa de número 518, que seria alvo de busca e apreensão, perceberam que um homem estava na garagem e saiu correndo para dentro assim que viu o veículo da PF. Os policiais saíram imediatamente da viatura e começaram a gritar: “Polícia Federal!”.

O alvo de mais uma fase da Operação Sisamnes era o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, investigado sob suspeita de operar um esquema de compra de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e de outros tribunais. Preso preventivamente de novembro do ano passado até julho deste ano, ele foi mandado para prisão domiciliar por causa de problemas de saúde durante o período na prisão.

A PF solicitou essa nova busca e apreensão em sua casa, em Primavera do Leste (MT), para verificar como estava a saúde do lobista e se havia condições para mandá-lo de volta à prisão. A defesa de Andreson não se manifestou.

A operação se desenrolou sob um clima de tensão por causa da presença de um policial militar aposentado, Dejair Silvestre dos Santos. Foi ele quem correu para dentro da casa para avisar o lobista sobre a chegada da viatura da PF. Silvestre foi preso em flagrante na sexta-feira por tentativa de obstrução da investigação.

Os detalhes da ação foram descritos pelos policiais federais em depoimentos e documentos enviados ao relator da investigação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. Com base nessas informações, Zanin decretou nesta segunda-feira (6) a prisão preventiva de Dejair Silvestre.

Após terem percebido que Silvestre correu para dentro da casa, os policiais federais foram atrás e entraram na residência anunciando a presença da Polícia Federal. O lobista Andreson de Oliveira Gonçalves estava entre a cozinha e a sala, enquanto o policial militar subia as escadas para o andar superior. Os policiais perceberam que ele estava armado. Mandaram que Silvestre parasse e descesse as escadas.

A PF pediu que entregassem os celulares, mas tanto Dejair Silvestre como Andreson disseram que não tinham telefones. Os policiais, então, apreenderam o celular da esposa de Andreson, a advogada Mirian Ribeiro Gonçalves, também investigada por participação no esquema de compra de decisões.

Em seu depoimento, o agente da PF Jefferson Coutinho Júnior descreveu o andamento da ação: “Foi dada continuidade às buscas, Dejair pediu para ir ao banheiro, fato que levou de 5 a 8 minutos, após sair foi perguntado sobre seu celular, ele continuou negando que tinha telefone, na busca no interior do banheiro, foi encontrado um celular, estava bem escondido em um compartimento embaixo da pia, e que ao tocar no celular apareceu a foto de Dejair”.

Com o PM aposentado, foi apreendida uma pistola calibre 380, 34 munições e dois carregadores.

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), Dejair Silvestre atuava ilicitamente como segurança particular de Andreson com arma de fogo e poderia integrar a organização criminosa liderada pelo lobista. Por isso, a PGR pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva.

O ministro Cristiano Zanin acolheu o pedido e escreveu que é necessário saber “a extensão do poder de influência” do policial militar.

“A sua conduta, durante cumprimento de medida de busca determinada em contexto de organização criminosa estruturada, denota risco da soltura à instrução criminal. Importa frisar que Andreson encontra-se em prisão domiciliar, medida excepcional humanitária, com restrições de contato com outros investigados. Nesse contexto, a ação de tentar antecipar a medida determinada por este Relator, viabilizando supressão de elementos de prova, aliada ao fato de se tratar de segurança armado com formação policial militar reclama cautela a justificar a medida extrema”, escreveu o ministro do STF.

Em nota, o advogado de Silvestre, Lucas Curvo Figueiredo, negou que ele tenha obstruído a investigação. “A defesa técnica respeita a decisão, dela discorda e adotará as medidas cabíveis, reafirmando que o investigado nega a prática de obstrução e permanece à disposição da Justiça, confiando no pleno esclarecimento dos fatos e na integridade de suas garantias constitucionais”, afirmou.

O Noroeste

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