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Do saber popular à ciência: pesquisadores testam óleo de jacaré do Pantanal como cicatrizante e antidepressivo

Usado tradicionalmente por comunidades ribeirinhas, o óleo de jacaré do Pantanal vem ganhando respaldo científico e espaço nos laboratórios de universidades. Há cerca de quatro anos, o produto passou a ser estudado pela Universidade Estadual e Federal de Mato Grosso, Unemat e UFMT, para desenvolver um novo bioativo com propriedades terapêuticas.

Principais potenciais já encontrados:

  • 🔬Cicatrizante para feridas e/ou cortes
  • 🧪 Efeito antidepressivo em roedores
  • 💊 Reguladores do colesterol

O coordenador e professor Fabrício Rios-Santos, da UFMT, explicou que o projeto busca transformar um subproduto, que costuma descartado, em inovação com potencial para aplicações diversas: de cremes e hidratantes cicatrizantes até suplementos nutriterapêuticos com efeitos antidepressivos, anti-inflamatórios e reguladores do colesterol.

“Nosso objetivo é levar esse conhecimento ancestral ao mercado, com responsabilidade ambiental, aproveitando a biodiversidade brasileira de forma sustentável”, disse.

Segundo a pesquisa, o óleo de jacaré do Pantanal apresenta alta concentração de ácido palmitoleico (19%), uma substância altamente eficaz na regeneração da pele. Essa característica dá ao produto um grande diferencial na formulação de cosméticos e pomadas cicatrizantes, com resultados superiores até mesmo a óleos consagrados, como o de rosa mosqueta e o de abacate.

📰O projeto já rendeu a concessão de patente e diversas publicações científicas em periódicos nacionais e internacionais. Um dos artigos foi publicado no Journal of Pharmacology, uma das revistas mais respeitadas do mundo na área de farmacologia.

O professor também cita que outros países, como África do Sul e China, já comercializam produtos similares à base de óleos de crocodilianos, utilizados tanto na medicina tradicional quanto na indústria cosmética europeia.

Tempo de estudos para uso em humanos

Fabricio contou que as pesquisas para criação de fármacos e produtos que possam ser utilizados em humanos levam em torno de 10 a 15 anos até a prototipagem de medicamentos, exceto em casos de urgência, como foi o caso das pesquisas realizadas durante o período da Covid-19.

“Essa é a regra, de 10 a 15 anos de uma primeira molécula até chegar aí uma prototipagem de um medicamento. São várias fases, desde a fase pré-clínica até a clínica propriamente dita. Exceto condições de emergência, com caráter de urgência”, ressaltou.

A extração do óleo

A criação de jacarés para o abate é uma prática permitida no Brasil, mas exige licenças ambientais específicas. O óleo é um sub produto de animais de criadouros, e é encontrado na gordura das vísceras desses animais, que, em geral, são descartadas.

Fabricio explicou que o estudo pode incentivar a economia, o empreendedorismo, além de aproveitar essa matéria-prima. De acordo com o professor, a extração ainda é feita de forma artesanal pelos próprios pesquisadores.

“Nós retiramos essa gordura, trituramos essa gordura, depois fazemos uma pasta e utilizamos um solvente. Extraímos através de uma extração quente. No fim, temos um o óleo puro”, explicou.

 

Próximas fases e desafios

 

Atualmente, o projeto está no período de encontrar as primeiras evidências de aplicações por meio de testes in vitro e em vivo, além de fomentar uma rede de colaboração de farmacologistas no país. O grupo agora também tenta arrecadar recursos por meio de farmacêuticas e investidores para chegarem à primeira prototipagem.

O Noroeste

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