Andreson Gonçalves, apontado como o principal lobista do advogado Roberto Zampieri — Foto: Divulgação
O lobista Anderson de Oliveira Gonçalves, apontado como intermediador na venda de sentenças judiciais em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foi transferido para o presídio da Papuda, em Brasília, nesta quarta-feira (12), de acordo com a Polícia Federal. Ele voltou ao regime fechado após o cumprimento de um novo mandado de prisão contra ele, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa informou a imprensa que não irá se manifestar, alegando sigilo processual.
A decisão do STF, ocorreu após a Corte identificar indícios de que ele continuava cometendo crimes, incluindo lavagem de dinheiro, mesmo durante a prisão domiciliar.
Anderson cumpria prisão domiciliar desde julho, em Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá, depois que o Supremo aceitou um pedido de mudança de regime apresentado pela defesa, que alegou motivos de saúde.
Um relatório preliminar da Polícia Federal (PF) apontou que o lobista utilizava a empresa Florais Transportes como parte de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que supostamente viria da venda de sentenças judiciais. Segundo o documento, o grupo articulava uma rede de intermediários que facilitava a movimentação de milhões de reais por dia nas contas da transportadora
As investigações começaram em agosto de 2024, após mensagens no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em 2023, levantarem a suspeita de venda de decisões e levarem ao afastamento dos desembargadores de Mato Grosso, Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho.
Pelas conversas, a Polícia Federal apontou que o lobista seria um dos responsáveis por aproximar o advogado de Sebastião e João. Na operação Siamnes, a polícia prendeu Andreson e vasculhou a casa dos magistrados, que agora são monitorados por tornozeleira eletrônica.
Já na Operação Ultima Ratio cinco desembargadores de Mato Grosso do Sul foram afastados da função, e Andreson foi alvo novamente de busca e apreensão.
Em fevereiro de 2025, enquanto estava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, Gonçalves chegou a solicitar à Justiça o direito a uma alimentação especial, compatível com sua condição de saúde.
A defesa alega que ele teve crises dentro da unidade, com o psicológico comprometido e perda de peso, devido a uma alimentação inadequada e falta de contato com a família.
Na ocasião, a Justiça de Mato Grosso autorizou a entrega de refeições específicas três vezes por semana. Entre os itens autorizados estavam carne assada, atum, chocolates e outros alimentos compatíveis com sua dieta. No entanto, oito meses após a prisão, imagens da perícia mostram o lobista visivelmente debilitado, com aparência esquelética.
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