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Famílias de pescadores passam dificuldades após 3 meses sem receber benefício durante piracema em MT

Os pescadores de Mato Grosso que pediram seguro defeso em outubro do ano passado ainda não receberam o benefício que é pago durante o período de piracema.

No estado, são mais de 10 mil pescadores artesanais que dependem desse auxílio durante a fase proibitiva. Em Cuiabá são ao menos 600 famílias que precisam do dinheiro e estão enfrentando dificuldades financeiras. Ninguém recebeu o valor até agora.

A proibição acaba no dia 31 de janeiro deste mês, de acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). A medida proíbe a pesca para preservar as espécies na região, exceto para ribeirinhos e povos tradicionais que dependem da pesca como subsistência.

O pescador Francisco Alberto Souza Filho disse à TV Centro América que está parado há três meses e tentou pedir o benefício, mas não conseguiu.

“A luz não espera, a fome não espera, a água também não espera, temos conta para pagar”, afirmou.

A presidente de uma colônia de pescadores Sandra Oliveira disse que fez os pedidos e que todos tiveram a mesma resposta.

“O seguro está parado no sistema para ser analisado. Já era porque os pescadores estão recebendo a terceira parcela, e até hoje nada. Nem uma análise, nada, não foi feito nada, está tudo parado. E não é a primeira vez, não. Eu já passei por vários seguros, vários atrasos, mas dessa vez está pior. Porque essa vez a gente não tem previsão de quando esse dinheiro vai ser liberado. A coisa está muito complicada”, disse.

Famílias de pescadores passam dificuldades após 3 meses sem receber benefício durante piracema em MT — Foto: Assessoria

Além dos pescadores de Cuiabá, outros de Acorizal, Barão de Melgaço, Várzea Grande e Santo Antônio do Leverger não receberam nenhuma parcela do benefício durante a piracema.

“A gente está enfrentando uma dificuldade de três meses. Vamos para quatro meses. Esses pais de família, mães de família que estão aqui, não estão aqui à toa. Porque a ansiedade de alimento em casa, pagar sua conta, pagar seu boleto, está sendo mesmo, está passando dificuldade”, desabafou o pescador Benedito Sérgio Ribeiro.

Em vários casos, o dinheiro do seguro seria a única renda da família. “Eu tenho 15 anos, meu esposo pesca, mas nós viemos da família pescador, meu pai, meu avô, meu bisapoção, pescador e nada mais. Sem a pesca não temos renda, não temos nada na conta, não tem nada. Estamos aguardando, mas até hoje nada”, disse a pescadora Maria Helena Ferreira de Arruda.

Os pescadores de Mato Grosso se sentem penalizados devido às inúmeras restrições de pesca além da época de piracema, segundo a presidente da Associação do Seguimento de Pesca Nilma Silva.

“Tem uma lei que proibiu as 12 espécies mais pescosas, mais rendáveis. Essas espécies representam 93% do que os pescadores conseguiam receber, além de não ter o direito mais de pescar as 12 espécies, que foi proibida pelo governo do estado, também não recebeu seguro de defesa. Que diga de passagem que é um direito adquirido dos pescadores. Sem falar que os pescadores trabalham oito meses para suprir 12, porque nós estamos no período de defesa”, afirmou.

Já a pescadora Maria Lúcia da Silva Correa contou que o Natal foi um caos. “Ainda bem que a gente tem nome emprestado, mas isso é caro, porque não tem dinheiro. As contas não esperam, cobrança, celular que a gente tem que desligar, a cobrança dá demais, então nós queremos o nosso dinheiro por direito”, contou.

O Noroeste

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