Aos 61 anos, Maria Lúcia Pereira Marinho atravessou mais de 700 quilômetros, enfrentou dois dias de estrada e realizou um sonho que estava no papel há quatro anos: participar da tradicional Corrida de Reis 2026, a maior prova de rua do Centro-oeste, em Cuiabá. Mais do que cruzar a linha de largada, a atleta amadora de Marilena (PR) carrega uma história marcada por superação, saúde e recomeço, após vencer um câncer na região da cabeça.
Apaixonada pela corrida de rua há cerca de 12 anos, Maria Lúcia conheceu a Corrida de Reis por meio de uma amiga que mora em Mato Grosso.
“Ela sempre falava: ‘Você tem que ir na Corrida de Reis’. Eu via as notícias, acompanhava tudo e tinha muita vontade de participar. Tenho seis anos de São Silvestre. Aí falei: ‘Esse ano não é São Silvestre, é Corrida de Reis”, ressaltou.
A decisão ganhou ainda mais significado depois de um período difícil. Maria Lúcia precisou interromper os treinos por quatro anos após ser diagnosticada com um tumor na cabeça. A pausa forçada trouxe não só limitações físicas, mas também emocionais.
“Foi muito triste. Fiquei deprimida, tive início de depressão. Eu tinha vontade de correr e não podia. Tive problema no olho, que não abria, e medo de não voltar mais a correr”, relembrou.
A liberação médica veio recentemente, junto com a confirmação de que não houve sequelas após a cirurgia, realizada em Curitiba. Para ela, o esporte teve papel decisivo na recuperação.
“O médico falou que, devido a eu não ter ficado com sequela nenhuma, foi o esporte que eu fazia. Quem pratica esporte tem outra visão da vida. Tem mais vontade de viver, e eu tinha muita vontade de viver”, declarou.
Mais uma superação
A corrida também foi fundamental na transformação da saúde. Antes obesa, Maria Lúcia emagreceu cerca de 22 quilos com a prática esportiva e passou a controlar melhor o colesterol alto, um problema de origem genética. “Mesmo tomando remédio, meu colesterol era sempre alto. O médico falou que eu precisava de um esporte para queimar gordura, e foi a corrida de rua. Fui aos pouquinhos e viciei”, disse.
Para Maria Lúcia, correr vai muito além da competição. É sinônimo de vida.
“A corrida salvou a minha vida. Se eu não tivesse feito esporte, provavelmente eu já teria morrido há muito tempo atrás. O esporte transformou a minha vida. Estar aqui hoje é um sonho realizado”, ressaltou.
Mais de 15 mil atletas participam da 41ª edição da Corrida de Reis neste domingo (11), no Parque Novo Mato Grosso. Pela primeira vez na história, a competição será realizada fora do trajeto urbano tradicional, mas mantém os 10 quilômetros.
O percurso da Corrida de Reis 2026 passará pelos seguintes pontos:
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