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Como vivem as primeiras gêmeas siamesas de MT que passaram por cirurgia de separação há 15 anos

As irmãs gêmeas Kauany Aparecida e Keroly Joice Gonçalves Miranda nasceram em janeiro de 2010, no Hospital Universitário Júlio Müller, em Cuiabá, aos oito meses de gestação. Elas vieram ao mundo unidas pelo abdômen, em uma condição rara que exigiria, dez meses depois, uma complexa cirurgia de separação.

Atualmente, aos 15 anos, as duas vivem com a mãe e os irmãos mais velhos, também gêmeos, em um sítio no município de Jauru, que fica no interior de Mato Grosso e possui pouco mais de 8 mil habitantes.

Apesar das limitações físicas e dos cuidados médicos constantes, Kauany e Keroly mantêm uma rotina semelhante à de outras adolescentes: estudam, frequentam a igreja, gostam de sair e produzem vídeos para o TikTok.

A mãe das meninas, Selma Gonçalves, relembrou que a descoberta da gravidez foi uma “surpresa dupla” — literalmente. Aos cinco meses de gestação, soube não apenas que esperava duas meninas, mas que elas eram siamesas. Nos primeiros exames, os médicos identificaram pelo ultrassom um corpo, três pernas e duas cabeças.

“O medo era muito grande, mas deu tudo certo. Na época, os médicos disseram que foi um milagre”, recorda ela.

O caso de Kauany e Keroly entrou para a história da medicina mato-grossense como o primeiro de gêmeas siamesas do estado a sobreviverem após o procedimento de separação. Até então, o único registro havia ocorrido há 20 anos, mas terminou com a morte das crianças poucos dias após o parto.

Selma relatou ainda que enfrentou inúmeras dificuldades ao longo do tratamento das filhas, entre elas, a necessidade de viajar constantemente para São Paulo para avaliações médicas e a demora para conseguir uma auxiliar escolar que pudesse acompanhar as meninas em atividades básicas, como ir ao banheiro.

Nascimento e separação

Siamesas de MT — Foto: Kelly Martins/G1

A cirurgia de separação ocorreu em 29 de novembro, no Instituto da Criança, ligado ao Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em um procedimento que durou 12 horas.

Com a operação, Keroly perdeu o intestino delgado e, desde então, necessita de cuidados redobrados. Ela também apresenta problemas renais e anemia, exigindo acompanhamento especializado contínuo.

Após a cirurgia, as gêmeas passaram cinco dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Receberam alta da unidade juntas e permaneceram cerca de três meses em São Paulo, acompanhadas pelo ambulatório do hospital.

Atualmente, as duas utilizam cadeiras de rodas e usam bolsa de colostomia.

Conexão e sonhos

 

As gêmeas Kauany Aparecida e Keroly Joice junto da mãe, Selma Gonçalves — Foto: Reprodução

Em entrevista a imprensa, as irmãs contaram que, apesar da semelhança física, têm personalidades distintas, mas compartilham uma conexão que, segundo elas, vai além do visível.

“Quando uma está passando mal, a outra sente. A gente já pergunta: ‘Você não tá bem, né?’. Não dá para esconder nada. Onde uma está, a outra também”, contou Keroly.

A mãe confirmou que essa ligação sempre existiu. Quando tinham sete anos, Keroly estava internada com febre alta em São Paulo, enquanto Kauany permanecia em casa sob os cuidados da tia. Mesmo distante, a irmã também adoeceu. A equipe médica precisou autorizar um reencontro, e, assim que se viram, ambas apresentaram melhora imediata.

Hoje, as duas alimentam sonhos na área da saúde. Keroly deseja estudar medicina e trabalhar no Hospital das Clínicas, onde passaram parte importante da infância. Já Kauany aponta para a biomedicina como o curso dos sonhos.

Gêmeas siamesas de MT aguardam próteses
O Noroeste

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