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Justiça dá 48 horas para prefeito explicar fala que ligou Mesa Diretora ao Comando Vermelho

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), foi intimado pela Justiça a apresentar, no prazo de 48 horas, provas, documentos e esclarecimentos sobre declarações feitas em novembro de 2024, quando afirmou que a Mesa Diretora da Câmara Municipal teria sido “comprada” pelo Comando Vermelho. A decisão foi assinada pelo juiz Moacir Rogério Tortato e proferida nesta terça-feira (27).

A determinação ocorreu após o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso declinarem da competência para julgar o caso, remetendo o processo à Primeira Instância.

As declarações do prefeito motivaram reação do vereador Jefferson Siqueira (PSD), integrante do grupo de oposição na Câmara. À época, ele cobrou retratação pública após o coordenador do Gaeco, Adriano Roberto Alves, afirmar que nenhum dos políticos investigados por suposto recebimento de apoio financeiro de facção criminosa era de Cuiabá.

Sem recuar, Abilio ironizou o adversário político e disse que não havia citado nomes. Jefferson, por sua vez, recorreu à Justiça para que o prefeito seja obrigado a comprovar as acusações. “Quem fala tem obrigação de provar. Até agora ele falou muito e não apresentou nada”, declarou o vereador em entrevista.

O embate teve início durante a disputa pela presidência da Mesa Diretora da Câmara. Jefferson se lançou candidato, enquanto Abilio declarou apoio ao grupo liderado pela vereadora Paula Calil (PL), que acabou eleita. Durante o processo, o prefeito afirmou que não permitiria interferências externas e que não entregaria o comando do Legislativo municipal a uma facção criminosa.

Jefferson entendeu que as falas eram direcionadas a ele e afirmou que as declarações do prefeito tiveram impacto direto em sua vida pessoal, inclusive com o fim de seu casamento. Em resposta às críticas, Abilio disse que não pretende polarizar e voltou a ironizar o vereador, afirmando que não mencionou seu nome em nenhum momento.

Na decisão, o juiz destacou que se trata de uma interpelação judicial, com base no artigo 144 do Código Penal, para que o prefeito esclareça declarações feitas quando ainda exercia o mandato de deputado federal, relacionadas à suposta atuação de organização criminosa para influenciar a eleição de membros do Legislativo municipal e da Mesa Diretora. Com isso, Abilio terá dois dias para apresentar as explicações solicitadas à Justiça.

O Noroeste

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