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1ª edição de projeto da AML de 2026 discute violência contra mulher

Ao abordar o tema “Mulherar” na primeira edição deste ano do projeto “Casa Aberta”, a Academia Mato-grossense de Letras (AML) demonstra que, mesmo centenária, está conectada com os desafios da sociedade atual.

O quinto ciclo de eventos que, além de revitalizar o Centro Histórico de Cuiabá, atrai o público para perto dos “imortais” de praticamente todas as regiões do Estado é realizado com apoio financeiro do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), nesta quinta (12), na Casa Barão, a partir das 19h, com os portões literalmente abertos ao público.

“Casa Aberta é algo que já traz a sua proposta embutida na denominação. É só chegar. Aberto para todos os públicos, sem nenhuma restrição de gêneros, etnias ou faixa etária e o prédio centenário da Casa Barão, que sedia a AML, vai estar com o acesso livre, sendo todos bem-vindos!”, enfatiza a presidente da AML pelo segundo mandato consecutivo, Luciene Carvalho, primeira mulher negra a ocupar a presidência da instituição.

O tema do evento inicial, num total de 12 com uma apresentação ao mês, faz alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no último domingo (8). Com uma programação diversificada, o evento é gratuito e contempla todas as faixas etárias. O destaque da edição é a apresentação de um projeto, idealizado por duas imortais da AML, as escritoras Marta Cocco e Marli Walker.

Elas apresentam como produto uma coletânea de contos explorando o feminicídio, um tema urgente e de relevância no cenário regional e nacional. “Mais do que uma licença poética, ‘Mulherar’ é um verbo que precisa ser conjugado em todos os sentidos. A AML, com o lançamento desse projeto, para além da literatura, acena para essa emergência social comportando-se como instituição centenária atenta às necessidades de dar visibilidade crítica a um problema que diz respeito à toda a sociedade”, frisa Luciene, primeira mulher negra a ocupar a presidência da instituição.

A ex-presidente da AML, Sueli Batista, acadêmica com longa trajetória na luta pelos direitos da mulher, vai fazer a mediação da conversa com as escritoras Marta Cocco e Marli Walquer, reforçando a integração entre as integrantes da Academia e o público. Marta explica como surgiu a iniciativa do tema de abertura do ciclo de apresentações deste ano.

“A iniciativa partiu de um grupo de escritoras que sentiu a necessidade de, por meio de histórias reais ou inventadas, permitir que leitores e leitoras se coloquem no lugar das personagens e percebam as consequências desastrosas e a imensa dor que esses crimes causam”, explica. Marli entende que a Academia tem o dever de entrar no debate. “O grupo acredita que a verdadeira transformação social pode acontecer quando se discute como são produzidas as práticas sociais que embasam relacionamentos abusivos”, frisa.

O Casa Aberta começa a partir das 18h e prossegue até 21h30. “Mulherar” vai contar com transmissão ao vivo, pelo canal do youtube da Academia – clique aqui.

Programação

Das 19h às 21h30 fica disponível a instalação artística – sopa de letrinhas, um espaço para escrita dos convidados, além da projeção de poesias e de uma iluminação cênica. Às 19h acontece o bate-papo com as acadêmicas Marta Cocco e Marli Walker. Elas vão expor, em linhas gerais, o projeto literário antifeminicídio, que já conta com a participação de 15 autoras.

Às 20h, tem início o Slam da Academia, uma batalha de poesia. As pessoas interessadas em participar podem fazer a inscrição antecipada no instagram da AML, clique aqui ou inscrever-se na hora. Simultaneamente, às 20h, acontece uma performance de grafite, com a participação da artista urbana Negramina, grafiteira baseada em Cuiabá, reconhecida pela arte que celebra a força feminina, a representatividade negra e a criatividade.

O evento conta com a participação de um DJ e o microfone fica aberto para o público presente a partir de 20h30.

Casa Barão

A programação do projeto Casa Aberta é executada nos espaços internos e externos da Casa Barão. O nome do prédio histórico, sede da AML, homenageia Augusto João Manuel Leverger 1802-1880), também conhecido como Barão de Melgaço. Ele foi um militar francês naturalizado brasileiro, almirante, escritor, historiador e geógrafo. Foi presidente da província e um importante pesquisador da região, além de patrono do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e da Academia Mato-Grossense de Letras.

O Noroeste

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