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“Não tem dedo de ninguém”, diz secretário após suspeita em licitação envolvendo deputado I MT

O secretário de Estado de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo de Oliveira, negou qualquer tipo de influência política ou externa em processos licitatórios conduzidos pela Pasta, após o Ministério Público Estadual (MPE) solicitar investigação envolvendo o deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos).

A apuração foi motivada por um vídeo em que o parlamentar aparece comemorando o resultado de uma licitação de quase R$ 200 milhões, vencida pela empresa Oeste Construtora, que pertence ao irmão dele. Na gravação, Moretto afirma que a empresa “é dele”, o que levantou suspeitas sobre possível conflito de interesses.

Ao comentar o caso, Marcelo de Oliveira afirmou que os procedimentos da Secretaria seguem critérios técnicos e não sofrem interferência. “A Sinfra é totalmente republicana. Qualquer licitação não tem interferência de ninguém. Não tem dedo de ninguém”, declarou. Em seguida, reforçou: “Não admito nem pensar uma coisa dessa”.

O secretário também destacou que não participa diretamente das licitações e explicou que os processos são realizados de forma digital. “Eu não participo de processo licitatório. Além disso, tudo é feito de forma virtual, por meio da plataforma do Governo Federal”, disse.

Segundo ele, há ampla concorrência entre as empresas interessadas, o que, na avaliação dele, garante a lisura dos certames. “As empresas entram, disputam, tem leilão. Existe concorrência real dentro das licitações da Sinfra”, afirmou.

O vídeo que originou o pedido de investigação mostra o deputado mencionando o valor da obra e, ao ser questionado sobre as empresas vencedoras, respondendo: “Uma da Agrimat e outra é a minha”. A declaração ganhou repercussão nas redes sociais e motivou questionamentos sobre eventual ligação do parlamentar com o contrato.

Para o Ministério Público, os indícios apontam possível relação direta ou indireta entre o deputado e a empresa vencedora, além da hipótese de interferência no processo. A legislação brasileira proíbe parlamentares de firmar contratos com o poder público, o que pode configurar irregularidade caso seja comprovado vínculo.

O Noroeste

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