Após 40 anos, fazendeiro comprova pagamento e garante escritura de área rural em MT

Um produtor rural conseguiu garantir na Justiça a transferência definitiva de uma área de 121,2792 hectares na Gleba Serra Morena, em Juína, após comprovar que quitou integralmente o contrato de compra e venda firmado ainda em 1986. A Segunda Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a sentença que determinou a adjudicação compulsória do imóvel.

O caso envolve contrato celebrado em 21 de julho de 1986, pelo valor de 300 mil cruzados. Parte do pagamento foi feita como entrada e o restante dividido em duas notas promissórias, com vencimento em janeiro de 1987. Segundo o comprador, os valores foram totalmente quitados, mas a escritura definitiva não foi formalizada em razão do falecimento do vendedor.

A empresa que passou a figurar como proprietária do imóvel recorreu da sentença, alegando ausência de prova da quitação, nulidade por cerceamento de defesa, existência de cláusula que permitiria a rescisão automática do contrato e inexistência de posse da área pelo autor.

Relator do recurso, o desembargador Hélio Nishiyama afastou, inicialmente, a tese de rescisão automática por cláusula resolutiva, por entender que o argumento não havia sido apresentado de forma autônoma na contestação, configurando inovação recursal. Também rejeitou a alegação de cerceamento de defesa, destacando que a empresa participou de todas as fases do processo e produziu as provas que entendeu necessárias.

No mérito, o relator explicou que a adjudicação compulsória exige quatro requisitos: contrato válido, inexistência de cláusula de arrependimento, quitação integral do preço e recusa ou impossibilidade de outorga da escritura. No caso, entendeu que o conjunto probatório foi suficiente para demonstrar o pagamento.

Entre as provas consideradas está a declaração de quitação assinada pelo procurador do vendedor à época, posteriormente ratificada em ata notarial. A procuração pública conferia poderes para receber valores e dar quitação, inclusive com eficácia retroativa para contratos quitados até 31 de janeiro de 1987, período que abrange o negócio discutido.

O voto também destacou que a empresa não apresentou as notas promissórias vinculadas ao contrato, que poderiam indicar eventual inadimplência, nem justificou a ausência desses documentos. Além disso, foi considerado relevante o fato de que, ao longo de quase quatro décadas, não houve qualquer cobrança formal do valor supostamente devido.

Quanto à ausência de cláusula expressa de irrevogabilidade, o relator esclareceu que a lei exige apenas que o contrato não contenha cláusula de arrependimento, o que foi verificado no caso. Já a posse direta do imóvel foi considerada irrelevante para o pedido, por se tratar de ação de natureza obrigacional destinada a assegurar o cumprimento do contrato.

A decisão também reafirmou entendimento de que o direito à adjudicação compulsória não se submete a prazo prescricional, podendo ser exercido enquanto não houver situação jurídica consolidada por usucapião.

O Noroeste

Recent Posts

Mato Grosso lidera crescimento no abate de bovinos no país – O Mato Grosso

Mato Grosso foi o estado que registrou o maior crescimento absoluto no abate de bovinos…

12 horas ago

Ex-prefeito de Cuiabá e partidos são condenados a pagar quase R$ 1 milhão para produtora I MT

A Justiça condenou o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PSD) a quitar uma dívida de…

12 horas ago

Adolescente de 17 anos é encontrado morto com tiro de espingarda no rosto em MT

Um adolescente identificado como Salatiel Gonçalves Ribeiro, de 17 anos, foi encontrado morto na madrugada…

12 horas ago

Águas Cuiabá prepara novo reajuste de até 16% e vereador diz que vai acionar Procon

O vereador Dilemário Alencar anunciou que irá apresentar uma denúncia formal junto ao Procon, após…

12 horas ago

Casal preso em Várzea Grande com produtos de harmonização orofacial

Material avaliado em R$ 38 mil foi recuperado após investigação de fraude contra distribuidora do…

12 horas ago

Justiça manda afastar policial civil de MT condenado por estuprar colega em viagem a trabalho

O policial civil também é investigado pela morte de João Antônio Pinto, de 87 anos,…

12 horas ago