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Mato Grosso registra mais de 7 mil mortes de mulheres em idade fértil nos últimos cinco anos

Mato Grosso registrou mais de 7.282 mortes de mulheres em idade fértil nos últimos cinco anos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, atualizados até abril deste ano. Dessas, 598 foram mulheres negras, o que representa aproximadamente 8% do total de vítimas. As indígenas aparecem na sequência, com 179 casos no período (2,5%).

Mato Grosso também registrou 196 casos de morte materna de 2022 até abril de 2026. De acordo com um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) publicado em 2025 e realizado com dados epidemiológicos do Ministério da Saúde, a maioria dos casos é evitável.

Os problemas encontrados que agravam essa situação são:

  • 🤰pré-natal inadequado;
  • 🏥estrutura insuficiente nos hospitais;
  • 🩺falhas no atendimento;
  • 🏘️desigualdades regionais.

Mortes de mulheres em idade fértil 2021-2025

ANO N° DE MORTES
2021 2.019
2022 1.265
2023 1.351
2024 1.299
2025 1.348

Mortes de mulheres em idade fértil por raça/cor em MT (2021 – 2025)

RAÇA/COR N° DE MORTES (2021 e 2025)
Negras 598
Pardas 4.171
Indígenas 179
Brancas 2.232

No Brasil, foram mais de 375 mil mortes registradas no período, com São Paulo (78.649), Minas Gerais (35.253) e Rio de Janeiro (35.440) liderando o ranking. Já Mato Grosso, apesar dos números expressivos, variou entre a 13ª e a 17ª posição. Segundo a plataforma de monitoramento, para todas as regiões, 2021 foi o ano com mais registros, impulsionado pela pandemia de Covid-19.

A partir desses dados, é possível investigar os casos de mortalidade materna que em Mato Grosso foram registrados 196 casos de 2022 a 2026.

“Para além de uma fatalidade evitável, a mortalidade materna consiste em um importante indicador de saúde pública que reflete as condições sociais, de qualidade de vida e de acesso aos serviços de saúde”, afirmou uma das idealizadoras do estudo, professora do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, Elyana Teixeira.

Para a professora Ana Paula Muraro, que também participou do estudo, as causas da mortalidade materna, que afetam principalmente mulheres negras e indígenas, estão ligadas às condições de vida, de acesso e à qualidade do cuidado.

“Quando falamos de maior risco entre mulheres negras, indígenas e com menor escolaridade, estamos falando de condições de vida, acesso aos serviços, transporte, renda, informação, racismo, inserção social e qualidade do cuidado recebido. Não é uma vulnerabilidade individual, mas produzida socialmente”, explicou Muraro.

O estudo também propõe uma série de medidas que podem ser adotadas para reduzir esses números. Entre as orientações estão: número suficiente de consultas durante o pré-natal e acesso oportuno aos exames, garantia de transporte adequado entre municípios, educação permanente e continuada a profissionais que atuam com essas mulheres e educação em saúde para um início da vida sexual com segurança e contracepção adequada.

“Mulheres em situação de vulnerabilidade social precisam ser acompanhadas por serviços de assistência social”, ressaltou Muraro.

Atuação do estado

Atualmente, Mato Grosso possui em atividade o Grupo Técnico Estadual de Vigilância do Óbito, uma equipe da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) responsável por analisar e monitorar mortes, especialmente maternas, infantis, fetais e por causas mal definidas.

Segundo a pasta, o grupo atua na qualificação das informações, identificação de fatores associados e proposição de medidas para prevenção e melhoria da assistência à saúde.

O Noroeste

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