A ave estava em um trecho cercado por mata e segurava um animal nas garras.
Um gavião-real, espécie ameaçada de extinção, foi visto às margens da MT-160, rodovia estadual que dá acesso à cidade de Juara, em um registro considerado raro por um empresário que passava pela região de Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá.
O empresário Valdir Barbosa, contou que o flagrante aconteceu enquanto retornava de um serviço na região. De acordo com ele, a ave estava em um trecho cercado por mata, cerca de 10 quilômetros após a entrada da MT-160, no sentido Nova Monte Verde.
Ao se aproximar, o empresário percebeu que o gavião estava parado às margens da rodovia e aparentava estar machucado.
“Parei porque achei que ela estava ferida e pensei em ajudar. Mas, quando me aproximei, ela voou. Quando eu vi a ave, eu não pensei duas vezes. Um registro importante, né? Até então nunca tinha visto uma ave assim tão próxima e tão tranquila”, contou.
Segundo Valdir, o gavião permitiu a aproximação. Durante a gravação, ele percebeu que a ave segurava um animal nas garras, mas não conseguiu identificar qual era a presa. Depois de levantar voo, o gavião pousou em uma árvore às margens da estrada.
O biólogo Helder Freitas, afirmou que o gavião- real, ou harpia, é considerada uma das maiores aves de rapina do mundo e ameaçada de extinção devido à destruição do habitat natural. De acordo com o especialista, o animal não aparentava estar ferido, mas tinha dificuldade para levantar voo porque carregava uma presa pesada nas garras.
“Quando caça um animal pesado, ela corta com o bico em pedaços. Mas, como a pessoa do vídeo se aproximou, ela teve que levantar voo com a presa”, explicou.
Harpia ou Gavião- real
Ainda segundo o biólogo, a harpia usa as garras para capturar animais como macacos, preguiças, quatis, aves e roedores nas copas das árvores. A espécie ocupa o topo da cadeia alimentar e ajuda no controle de outras espécies. Helder afirmou ainda que a presença da ave é considerada um indicador ambiental importante.
“Se há harpia, o ambiente em geral está em equilíbrio”, disse.
A ave possui longo tempo de vida e baixa taxa reprodutiva. O tempo geracional da espécie é estimado em 18,5 anos. O ninho do gavião-real é considerado grande e, geralmente, é encontrado em árvores altas. A espécie costuma pôr dois ovos, mas é comum desenvolver apenas um filhote.
Mais da metade de sua distribuição encontra-se nas florestas brasileiras, conforme o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Devido à redução populacional pela intensa perda de habitat e pela caça, a espécie é considerada globalmente quase ameaçada de extinção (NT) e nacionalmente vulnerável (VU).
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