Rogério da Silva Amorim, condenado a 20 anos de prisão por mandar matar Maiana Mariano Vilela, de 16 anos, foi preso na manhã desta terça-feira (26), em Cuiabá, dez anos após a condenação. À época, ele chegou a ser preso mas foi solto uma semana depois. O novo mandado foi decretado em novembro do ano passado, mas ele levava uma vida normal pela cidade.
A reportagem tenta localizar a defesa de Rogério.
Nessa segunda-feira (25), a imprensa publicou uma reportagem sobre o mandado de Rogério em aberto e a sensação de impunidade sentida pela família da vítima.
A família contou que, nesta semana, Maiana completaria 31 anos. Segundo o irmão da vítima, Danilo Raul, parentes da jovem já chegaram a encontrar Rogério pela cidade mesmo após a condenação.
“Eu, minha mãe e meu irmão estamos indignados com essa situação. […] Por que ele não está preso? Porque mandou matar a filha de uma família pobre? Só porque ele tem dinheiro, consegue fazer o que quer?”, afirmou o irmão da vítima.
Relacionamento, desaparecimento e morte
Segundo o Ministério Público, no dia do homicídio, o empresário teria mandado Maiana descontar um cheque de R$ 500 e levar o dinheiro para um chacareiro.
Ela foi ao banco com uma moto que tinha ganhado do empresário e, depois, se dirigiu à chácara. A jovem foi morta na chácara e teve o corpo colocado dentro de um carro de passeio e, em seguida, deixado na região da Ponte de Ferro. Os restos mortais da adolescente foram encontrados no dia 25 de maio de 2012, cinco meses após o crime.
Cerca de 10 anos após a condenação do mandante do assassinato, Danilo, irmão de Maiana, contou que a mãe deles deixou de viver em Cuiabá , cidade que morava há mais de cinco anos porque não suportava encontrar Rogério pela cidade.
“Ela foi embora para ver se espairece a cabeça, porque não aguentava mais ficar aqui vendo o Rogério para cima e para baixo tranquilo, enquanto a filha dela está morta, enterrada e o cara que mandou fazer isso está vivendo a vidinha dele boa, tranquilo, sem nenhum problema”, disse.
Três réus acusados de assassinar e ocultar o cadáver de Maiana foram condenados pelo Tribunal de Júri, em Cuiabá, em 2016. O júri durou dois dias.
Durante a fase de interrogatório dos réus, somente Rogério não confessou participação no assassinato. Ele disse que o relacionamento com a adolescente era “maravilhoso” e relatou ter conhecido Maiana em uma boate e que, a princípio, não sabia que se tratava de uma adolescente.
Paulo Ferreira Martins, de 44 anos, acusado de ter sido contratado para matar a adolescente, afirmou, no interrogatório, que cometeu o crime durante uma discussão com a vítima. Já Carlos Alexandre da Silva, de 34 anos, disse, em depoimento, ter ajudado Paulo a enterrar o corpo da vítima.
Rogério da Silva Amorim, que mantinha um relacionamento com a vítima, foi sentenciado a 20 anos e 3 meses em regime fechado como mandante do crime e por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, recompensa e meio que dificultou a defesa da vítima).
Já Paulo Ferreira Martins, de 44 anos, que confessou ter asfixiado a adolescente, foi condenado a 18 anos e 9 meses por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, também em regime fechado.
Carlos Alexandre da Silva, de 34 anos, que confessou ter ajudado a enterrar o corpo da adolescente, foi condenado a um ano e seis meses em regime aberto.
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