O vídeo repercutiu e gerou um debate sobre arborização urbana na capital. Em nota, a prefeitura afirmou que prevê o replantio imediato de cinco árvores nativas no mesmo terreno.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o antes e depois da Rua Baltazar Navarro, no bairro Bandeirantes, em Cuiabá, após a retirada de árvores no local em um intervalo de um ano. O vídeo repercutiu e gerou um debate sobre arborização urbana na capital.
Em nota, a Prefeitura de Cuiabá informou que a retirada de cinco árvores da espécie figueira (Ficus benjamina), localizadas em um imóvel da rua, foi autorizada pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb). Segundo o município, a autorização prevê o replantio imediato de cinco árvores nativas no mesmo terreno, como medida compensatória prevista na legislação ambiental. (Video abaixo)
De acordo com a prefeitura, as mudas deverão ter altura mínima de 1,80 metro e diâmetro de pelo menos dois centímetros, seguindo critérios técnicos definidos pelo município.
“A autorização para retirada das árvores foi emitida após avaliação técnica que identificou risco potencial à segurança da população e à infraestrutura urbana. Conforme o laudo, os exemplares apresentavam porte elevado, raízes expostas e avançado estado de senescência, além da presença de cupins e apodrecimento do caule, fatores que comprometem a estabilidade estrutural das árvores e aumentam o risco de queda”, diz trecho da nota.
Ainda segundo a nota, a análise também teria apontado que as raízes poderiam causar danos a calçadas, tubulações e outras estruturas urbanas. Segundo a prefeitura, a espécie Ficus benjamina é considerada inadequada para arborização urbana devido ao porte e à agressividade das raízes, conforme previsto em decreto municipal.
Em nota, o Governo de Mato Grosso afirmou que a retirada foi realizada com autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá.
Arborização na capital

Um estudo divulgado em 2019 pelo Instituto Centro de Vida (ICV) apontou que Cuiabá perdeu 17% das áreas verdes nas últimas três décadas. Os dados analisados pelo instituto são do Projeto MapBiomas. Segundo o levantamento, mais de 55 mil hectares de vegetação foram perdidos na capital, área equivalente a cerca de 714 vezes o tamanho do Parque Mãe Bonifácia.
A redução das áreas verdes provoca impactos no meio ambiente e na qualidade de vida da população. Entre as consequências estão o aumento da sensação térmica, a degradação de habitats naturais e alterações no ciclo da água e em processos naturais do ecossistema.
Um mapeamento realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) também apontou que algumas cidades do estado cresceram sem planejamento urbano adequado. Conforme o estudo, a expansão urbana contribuiu para a retirada da vegetação nativa em diferentes regiões.
O presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, afirmou que a substituição das áreas verdes pelas ‘cidades de pedra’ contribui para o aumento das temperaturas nas cidades.
“Quando não tem arborização e a cidade se apresenta com concreto e cimento, ela fica quente porque ela retém o calor do sol. A partir do momento que tem arborização, tem dois efeitos: as áreas cobertas por vegetação contribuem para a diminuição do calor, então tem sombra e conforto térmico. Por outro lado, as áreas arborizadas soltam gotículas na atmosfera que caminham até 50 metros das árvores”, informou.
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