Nome do lobista veio à público após ele ser alvo das Operações Ultima Ratio e Sisamnes, que afastou magistrados e o apontou como uma peça importante para o esquema de venda de sentenças.
O lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como intermediador de um suposto esquema de venda de sentenças judiciais em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foi denunciado nesta quarta-feira (27) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, exploração de prestígio e violação de sigilo profissional. Outras oito pessoas também foram denunciadas no caso.
O g1 entrou em contato com a defesa do lobista, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
O nome do empresário veio à público após ele ser alvo das Operações Ultima Ratio e Sisamnes, que afastou magistrados nos dois estados e apontou o lobista como uma peça importante para o esquema.
Andreson é dono de empresas no ramo de transporte em vários estados do país e levava uma vida discreta, sem redes sociais. Em 2022, ele foi denunciado por violência doméstica, mas o caso foi arquivado no ano seguinte, pois a vítima não quis seguir com o processo.
Entenda o caso
Como começaram as investigações
As investigações começaram em agosto de 2024, depois que mensagens encontradas no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em 2023, levantaram suspeitas sobre negociações ilegais envolvendo decisões judiciais.
Assassinato de Roberto Zampieri e suspeita de venda de sentenças
Roberto Zampieri foi morto a tiros no dia 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório dele, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá.
Durante a investigação do homicídio, a Polícia Federal encontrou mensagens que indicavam a existência de um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). As apurações também avançaram sobre suspeitas envolvendo ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a PF, Andreson seria um dos responsáveis por aproximar Zampieri dos desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, do TJMT.
Operação Sisamnes
Na Operação Sisamnes, Andreson foi preso e a Polícia Federal cumpriu mandados de busca contra os desembargadores investigados. Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho foram afastados dos cargos e passaram a usar tornozeleira eletrônica.
Operação Ultima Ratio
Já na Operação Ultima Ratio, a Polícia Federal investigou suspeitas semelhantes em Mato Grosso do Sul. Cinco desembargadores do estado foram afastados das funções, e Andreson voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão.
Suspeita de lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Federal, a empresa Florais Transportes, comprada por Andreson em 2013, era usada como principal núcleo financeiro do esquema investigado.
De acordo com a investigação, contratos simulados e notas fiscais falsas eram usados para justificar movimentações milionárias nas contas da empresa. Os documentos traziam descrições genéricas, como “fretes interestaduais” e “transporte de cargas diversas”.
Em uma conversa analisada pela PF, Andreson afirmou que “recebe muito na conta da transportadora e lança como STE de frete”, mencionando operações que poderiam chegar a R$ 10 milhões por dia.
Ainda segundo o relatório, o dinheiro de origem ilícita era inserido nas contas da empresa por meio de transferências bancárias apresentadas como operações legais.
Como funcionaria o esquema, segundo a PF
De acordo com a investigação, o suposto esquema de lavagem de dinheiro funcionava principalmente de duas formas:
- dificuldade de rastreamento das operações de transporte, o que tornava mais difícil fiscalizar cargas e viagens;
- uso de notas fiscais e contratos com descrições genéricas, permitindo a emissão de documentos falsos para dar aparência legal às movimentações financeiras.
Prisão domiciliar e nova investigação
Em julho de 2025, Andreson teve a prisão convertida em domiciliar após a Justiça considerar grave o estado de saúde dele.
Mesmo em prisão domiciliar, porém, novas investigações apontaram que ele teria continuado praticando crimes, principalmente lavagem de dinheiro.
Por isso, em novembro do mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o cumprimento de um novo mandado contra Andreson em Primavera do Leste.
Perda de peso na prisão
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Segundo a defesa, Andreson passou por uma cirurgia em 2020 chamada gastrectomia vertical com interposição ileal, procedimento que envolve a retirada de parte do intestino e altera significativamente a digestão e absorção de alimentos. Em fevereiro de 2025, enquanto estava na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ele solicitou na Justiça o direito a uma alimentação especial, adequada à sua condição de saúde.
A defesa alega que ele teve crises dentro da unidade, com o psicológico comprometido e perda de peso, devido a uma alimentação inadequada e falta de contato com a família.
Na ocasião, a Justiça de Mato Grosso autorizou a entrega de refeições específicas três vezes por semana. Entre os itens autorizados estavam carne assada, atum, chocolates e outros alimentos compatíveis com sua dieta. No entanto, oito meses após a prisão, imagens da perícia mostram o lobista visivelmente debilitado, com aparência esquelética.




