A pesquisa que monitora a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) revelou que as famílias da capital seguem propensas ao consumo neste ano. Apesar da retração observada em março, que levou o índice a 112,5 pontos, os dados de maio já mostram crescimento de 1,6%, elevando o indicador para 114,4 pontos.
Apesar da oscilação, os resultados da pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mantêm os indicadores em nível de satisfação, acima dos 100 pontos, demonstrando que as famílias seguem relativamente otimistas em relação ao consumo e às condições econômicas no curto prazo.
Conforme análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), o avanço do índice geral foi impulsionado, principalmente, pela melhora na perspectiva de consumo, que registrou alta de 5% em maio na comparação com o mês anterior. Também contribuíram para o resultado a avaliação mais positiva sobre o consumo atual, com crescimento de 2,2% no mês, e a percepção mais favorável para aquisição de bens duráveis, que avançou 1,8%.
O presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, afirmou que os dados indicam uma retomada gradual da disposição de compra das famílias, especialmente após um início de ano mais cauteloso.
“O resultado de maio mostra que o consumidor cuiabano segue relativamente confiante, o que mantém o consumo aquecido mesmo em um ambiente econômico ainda desafiador. A melhora no nível de consumo atual indica uma retomada gradual das compras pelas famílias, especialmente no comércio de bens e serviços do dia a dia.”
Outro destaque foi a melhora na percepção sobre a compra de bens duráveis. O índice atingiu 102,6 pontos, acima da linha de satisfação, indicando que parte das famílias voltou a enxergar condições mais favoráveis para aquisições de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos.
Apesar disso, alguns componentes apresentaram retração, como emprego atual (-3,2%) e renda atual (-2,0%), sugerindo que o consumidor permanece atento às condições econômicas e ao orçamento doméstico. Ainda assim, a percepção geral segue positiva: 46,7% dos entrevistados afirmaram se sentir mais seguros em relação ao emprego do que no mesmo período do ano passado, enquanto 34,6% disseram que a situação permanece igual. Em relação à renda, 56,4% avaliam que a renda familiar está melhor, e 18,5% afirmaram que permanece no mesmo nível.
Ainda conforme análise do IPF-MT, mesmo com sinais positivos, o cenário exige atenção, principalmente porque parte das famílias continua convivendo com elevado comprometimento financeiro.
O acesso ao crédito pelas famílias permanece dividido. Enquanto 39,1% consideram mais fácil conseguir crédito ou financiamento, 40,0% avaliam que está mais difícil. O resultado demonstra um ambiente de consumo ainda sustentado pelo crédito, porém com maior seletividade financeira e cautela, tanto por parte das famílias quanto das instituições financeiras.
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