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Diagnóstico precoce pode levar à cura de maioria dos cânceres em mais de 90% dos casos

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2022 o diagnóstico precoce garantiu a classificação de “morte evitável” para 1,4 milhão de pacientes com câncer. Esse cenário, sem a rápida intervenção médica, ofereceria maior risco à vida. Especialistas alertam que alguns tumores conseguem se desenvolver de forma silenciosa, com sintomas vagos ou inexistentes nas fases iniciais.

O oncologista clínico Marcos Rezende explica que tumores pequenos e localizados tendem a não provocar alterações perceptíveis no organismo. Segundo ele, o câncer normalmente passa a apresentar sintomas quando invade estruturas próximas ou compromete funções importantes do corpo.

“Quando o tumor está muito inicial, ele costuma ser pequeno e localizado. Nessa fase, normalmente ele ainda não invade estruturas próximas. O organismo também possui mecanismos de tolerância imunológica que fazem o câncer mascarar a presença inicialmente, mas, quando o diagnóstico ocorre cedo, a maioria dos pacientes apresenta chance superior a 90% de cura”, afirma.

O especialista destaca que alguns órgãos demoram mais para sinalizar o desenvolvimento do câncer. Entre os exemplos mais frequentes estão fígado, pulmão e pâncreas. Em muitos casos, os sintomas acabam sendo confundidos com cansaço da rotina.

“Tumores como câncer de ovário e de pâncreas costumam ter comportamento silencioso porque conseguem crescer em áreas com espaço disponível. Além disso, os sintomas podem ser inespecíficos, como perda de peso e fadiga, o que faz muitas pessoas associarem isso ao trabalho ou ao estresse diário”, observa.

Além desses casos, Rezende cita linfomas indolentes e alguns subtipos de câncer de mama entre os tumores que podem evoluir sem manifestações evidentes. O oncologista ressalta que, em determinadas situações, o paciente sequer percebe a presença da lesão.

“O câncer de mama, dependendo do subtipo, pode ser silencioso no começo. Às vezes, a pessoa não percebe nenhuma alteração importante inicialmente. Por isso, o rastreamento tem papel decisivo para encontrar lesões precoces”, aponta.

O médico explica que a gravidade da doença não depende apenas do tamanho do tumor. A localização também interfere diretamente na avaliação clínica. Segundo ele, uma mesma medida pode representar cenários distintos conforme o órgão atingido.

“Cada tipo de câncer possui características próprias. Um tumor de um centímetro no rim pode ser considerado pequeno, mas esse tamanho em um câncer de mama exige uma análise diferente. A localização influencia diretamente na gravidade”, analisa.

SINTOMAS PERSISTENTES EXIGEM ATENÇÃO

O oncologista alerta que sintomas persistentes devem ser investigados, especialmente quando durarem mais de três meses. Essas sensações, então, devem soar como alerta para um possível câncer.

“Usamos muito a regra dos três meses. Se um sintoma permanece por muito tempo e não melhora, existe algo errado. Feridas na boca que não cicatrizam, alteração do ritmo intestinal e perda de peso sem motivo plausível precisam de avaliação médica”, diz.

Segundo o oncologista, o câncer costuma ser classificado como inicial quando permanece restrito ao órgão de origem, sem metástase ou invasão de estruturas próximas. Nessa fase, o tratamento tende a apresentar melhores resultados clínicos.

“De forma geral, consideramos precoce o câncer que ainda está localizado no órgão de origem e não atingiu linfonodos nem outros tecidos. Isso impacta diretamente nas possibilidades terapêuticas”, conclui.

O especialista também ressalta que hábitos saudáveis e vacinação integram as principais medidas preventivas. Não fumar, reduzir o consumo de álcool, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física e realizar exames periódicos ajudam a diminuir riscos e ampliar a detecção precoce. Segundo Rezende, exames como papanicolau, mamografia, colonoscopia e avaliações urológicas estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o que amplia o acesso à prevenção e ao acompanhamento médico.

O Noroeste

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