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Apreensão e destruição de materiais causam prejuízo de mais de R$ 90 milhões a garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé em MT

As operações do governo federal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, causaram um prejuízo estimado em R$ 93,3 milhões ao garimpo ilegal desde o fim de março. Segundo a força-tarefa, formada por ministérios, forças de segurança e órgãos federais, foram realizadas 1.090 ações integradas no território indígena. O local se tornou o território com o maior número de alertas de garimpo ilegal no Brasil segundo a Operação Amazônia Nativa (Opan).

Entre março e junho, 124 pessoas foram levadas à Delegacia da Polícia Federal. Desse total, 45 foram presas em flagrante por envolvimento com atividades de garimpo ilegal ou por estarem com equipamentos, insumos e materiais usados na exploração irregular de ouro dentro da terra indígena.

Segundo o balanço, o valor corresponde à destruição ou apreensão de estruturas utilizadas na atividade criminosa. Entre os equipamentos inutilizados ou apreendidos estão:

  • 29 escavadeiras hidráulicas;
  • 284 geradores;
  • 345 máquinas de pequeno porte;
  • 726 motores de garimpo;
  • 81 motocicletas.

Dados da coordenação da operação, sob responsabilidade da Casa Civil, apontam ainda a apreensão de mais de 1,5 tonelada de explosivos no período. Segundo o governo federal, o material era utilizado no chamado “garimpo de filão”, método que emprega explosivos para perfurar o solo, fragmentar rochas e extrair ouro.

Conforme a força-tarefa, a prática oferece riscos elevados, com possibilidade de desabamentos e acidentes graves, além de ser utilizada para tentar dificultar a fiscalização.

Histórico de exploração

 

Facção entra em garimpo ilegal, que não para de avançar sobre terra indígena em Mato Grosso
A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. O território possui cerca de 67 mil hectares, dos quais 4,2 mil hectares foram impactados pelo garimpo ilegal.
Homologada em 1985, a área enfrenta, nos últimos anos, conflitos relacionados à exploração clandestina de ouro. Segundo o governo federal, a operação de desintrusão busca garantir a segurança dos indígenas, proteger o território e conter o avanço da atividade ilegal.

Segundo a Opan, das 74 áreas registradas na base geográfica da Funai, 69 possuem processos minerários em seu entorno imediato, considerando um raio de até 10 quilômetros.

De acordo com o levantamento, o número de processos minerários em Mato Grosso saltou de 5.926, em 2018, para 13.627, em 2025um crescimento de quase 130%. Ao todo, esses processos abrangem cerca de 22.539.135,89 hectares. Considerando que o estado possui aproximadamente 90.320.699 hectares (903.207 km²), a área já sob incidência minerária corresponde a 24,9% do território, uma extensão comparável à área do Reino Unido.

A maior concentração ocorre na fase de Autorização de Pesquisa, que representa 29% do total, com 3.918 processos distribuídos em aproximadamente 9.308.819,47 hectares.

Além dos danos ambientais, o levantamento registra o aumento da violência na região, com a presença de facções criminosas e relatos de tiros, ameaças de morte e ataques a aldeias. Segundo o boletim, o cenário expõe a comunidade a risco de danos irreparáveis, caracterizando uma violência estrutural e sistemática.

Pressão no entorno de Terras indígenas

Terra Indígena Sararé, o território ocupa a quarta posição entre as TIs com maior número de requerimentos minerários próximos, somando 72 processos ativos. O principal minério de interesse nessas solicitações é o ouro, presente em 58 processos, que, juntos, abrangem cerca de 143.383,9 hectares.

Em primeiro lugar está a Terra Indígena Vale do Guaporé, que concentra a maior área sob influência de processos minerários em seu entorno, com aproximadamente 237.061,77 hectares. Na sequência aparece a Terra Indígena Escondido, com 195.355,32 hectares, seguida pela Terra Indígena Piripkura, de povos indígenas isolados, com 157.620,48 hectares.

O Noroeste

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