Entrada da Terra Indígena Tirecatinga, em Sapezal (MT), território demarcado em 1983 — Foto: Foto: Fellipe Abreu/Getty Images
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito para investigar uma suspeita de contaminação por defensivos agrícolas na Terra Indígena Tirecatinga, em Sapezal, a 473 km de Cuiabá. A investigação foi instaurada com base em um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que identificou resíduos de defensivos agrícolas em 88% das amostras de plantas medicinais cultivadas pelo povo Nambiquara.
Segundo a portaria assinada pelo procurador da República Gabriel Martins, o estudo detectou substâncias proibidas no Brasil e na União Europeia, como carbofurano, além de atrazina, clorpirifós, tiametoxam e acetamiprido.
Em nota, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) informou que ainda não foi notificado oficialmente pelo MPF e, por isso, não vai se manifestar sobre o caso.
Segundo o documento, lideranças indígenas relataram o surgimento de problemas de saúde na comunidade, como doenças respiratórias, fortes dores de cabeça e casos de aborto espontâneo. No entanto, ainda não há confirmação de relação direta com os produtos.
Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Terra Indígena Tirecatinga tem 244 moradores. A portaria ainda destaca que Sapezal é o segundo município de Mato Grosso que mais utiliza defensivos agrícolas.
O inquérito vai apurar a possível contaminação na terra indígena, monitorar a presença de resíduos em produtos de origem vegetal consumidos pela comunidade, verificar possíveis pulverizações irregulares no entorno da área e identificar medidas para reduzir os impactos à saúde dos indígenas e ao meio ambiente.
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