A aplicação de tarifas adicionais pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras deve ter impacto reduzido sobre a economia de Mato Grosso. Levantamento realizado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial com Internacionalização do Sistema Fiemt mostra que 93,85% das exportações mato-grossenses destinadas ao mercado norte-americano em 2026 permanecem fora da incidência da tarifa adicional de 25%, em razão das exceções previstas pelo governo dos Estados Unidos.
Os dados indicam que, dos US$ 209,57 milhões exportados pelo estado aos Estados Unidos neste ano, cerca de US$ 196,69 milhões continuam isentos da nova cobrança. Apenas US$ 12,77 milhões, o equivalente a 6,09% da pauta exportadora, estão preliminarmente sujeitos à tarifa adicional, enquanto 0,05% ainda depende de validações técnicas relacionadas à classificação tarifária.
Os principais produtos exportados por Mato Grosso para os Estados Unidos permaneceram na lista de exceções definida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Entre eles estão carne bovina, ouro e madeira serrada, além da madeira beneficiada (NCM 4409.22), cuja inclusão na relação de produtos isentos reduziu significativamente a exposição da cadeia florestal mato-grossense às novas medidas.
A análise da Fiemt mostra que a maior parte da exposição às tarifas está concentrada em apenas dois produtos: sebo bovino e gelatinas e seus derivados, que juntos representam 97,3% do valor das exportações estaduais identificadas como sujeitas à nova tarifa. Em valores, são aproximadamente US$ 10,7 milhões em sebo bovino e US$ 1,72 milhão em gelatinas.
Apesar da elevada dependência do mercado norte-americano para esses produtos, especialmente o sebo bovino, a existência de compradores consolidados em outros países, como Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Argentina, Reino Unido, México e Austrália, pode contribuir para reduzir os impactos sobre o setor.
Cenário mais favorável que o nacional
O resultado para Mato Grosso contrasta com o cenário brasileiro. Enquanto no estado quase 94% das exportações permaneceram protegidas pelas exceções tarifárias, no Brasil apenas 45,9% da pauta exportadora continua livre das medidas decorrentes das investigações comerciais norte-americanas. Outros 31,6% das exportações brasileiras passaram a ser atingidos pelas tarifas da Seção 301, além de parcelas sujeitas às medidas da Seção 232 e à investigação sobre trabalho forçado.
Outro fator que tende a aliviar os efeitos sobre as exportações brasileiras é o encerramento, previsto para este mês, da sobretaxa temporária de 10% aplicada de forma ampla pelos Estados Unidos. Com o fim da medida, produtos que não foram incluídos nas novas listas tarifárias deixarão de recolher esse adicional, reduzindo parte da pressão sobre o comércio bilateral.
Segundo a avaliação técnica do Sistema Fiemt, embora a investigação tenha sido concluída, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos deverá avançar para uma agenda voltada à cooperação estratégica, com foco em investimentos, minerais críticos, biocombustíveis, rastreabilidade, inteligência artificial e segurança alimentar.
Fonte: Fiemt
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