Padre Marcelo Fujimura — Foto: Arquidiocese de Cuiabá
O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) investiga o Colégio Salesiano São Gonçalo, em Cuiabá, e o diretor-geral da instituição, padre Marcelo Fujimura, após denúncias de supostos casos de assédio moral, incluindo intolerância religiosa. A apuração foi instaurada após representação apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Ensino do Estado de Mato Grosso (Sintrae-MT), que tornou públicas as acusações por meio de uma carta divulgada na última semana.
A imprensa, o MPT-MT informou que a denúncia foi protocolada pelo sindicato antes mesmo da divulgação do documento à imprensa. Após receber a representação, o órgão marcou uma audiência para ouvir os representantes sindicais e obter mais esclarecimentos sobre os fatos relatados. Paralelamente, a instituição de ensino foi notificada para apresentar manifestação e prestar os esclarecimentos considerados necessários durante a investigação.
Além da apuração das novas denúncias, o MPT-MT também instaurou um procedimento para verificar um possível descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre o Colégio Salesiano São Gonçalo e o MPT-MT em 2008. Entre as obrigações previstas no acordo está a de não praticar atos que possam caracterizar assédio moral no ambiente de trabalho.
Os procedimentos seguem em andamento e os fatos recentemente denunciados ainda estão sendo apurados.
Na carta aberta direcionada ao diretor-geral, o Sintrae-MT afirma que a atual gestão teria provocado uma deterioração do ambiente de trabalho em poucos meses. O documento sustenta que professores e funcionários administrativos estariam sendo submetidos a práticas de assédio moral e descreve uma série de condutas atribuídas ao diretor, ao vice-diretor, identificado apenas como padre Danilo, e à coordenadora pedagógica, Michela Falcão.
Entre as situações apontadas pelo sindicato estão:
Ainda conforme o sindicato, essas práticas teriam provocado abalos emocionais, adoecimento de trabalhadores, desmotivação e perda de confiança no ambiente escolar.
No documento, a entidade também critica o modelo de gestão adotado pela direção e questiona se a instituição estaria tratando a educação como mercadoria, os estudantes como clientes e os trabalhadores como “balconistas”, em desrespeito aos princípios constitucionais que regem o ensino.
O MPT ressaltou que, neste momento, a investigação busca reunir informações e verificar a procedência das denúncias, além de analisar se houve eventual descumprimento das obrigações assumidas pelo colégio no TAC firmado em 2008.
O g1 entrou em contato com o Colégio Salesiano São Gonçalo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Colégio Salesiano São Gonçalo — Foto: Missão Salesiana
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