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VÍDEO: capivara escapa de ataque de onça-pintada às margens de rio no Pantanal de MT

O macho de onça-pintada Ousado, um dos animais mais conhecidos do Pantanal mato-grossense, foi flagrado perdendo uma caçada após uma capivara escapar no último instante, no rio Três Irmãos, na região de Porto Jofre. O vídeo, publicado nas redes sociais no último sábado (1º), mostra a estratégia incomum usada pelo felino para tentar surpreender a presa (assista abaixo).

As imagens foram registradas pelo casal de guias de turismo Branco Arruda e Raquelle Saladin, enquanto acompanhavam uma família de turistas norte-americanos pela região.

No vídeo, Ousado nada silenciosamente em direção à margem do rio, onde a capivara está parada. Em determinado momento, ele mergulha para tentar surpreender o animal por baixo da água. Antes que o felino emerja, porém, a capivara parece perceber a aproximação e salta para dentro do rio, conseguindo escapar. Quando volta à superfície, Ousado observa a presa se afastando e parece desistir da investida. Toda a cena é acompanhada pelos turistas, que reagem a cada movimento dos animais.

Raquelle contou que o grupo percebeu a presença da capivara e decidiu manter distância para não interferir na caçada.

“O Ousado passou e ficamos acompanhando ele por um longo período. Quando a gente viu a capivara, já paramos para não atrapalhar ele, mas a capivara parece ter visto ele. Eu trabalho no Pantanal há 18 anos e ainda é indescritível a sensação de encontrar uma onça-pintada. Ainda me emociono e fico mais emocionada ao ver a alegria dos turistas”, afirmou.

Veja Video:

Segundo a guia, a, já conhecida, forma como Ousado tenta capturar as presas ainda chama atenção. “É um comportamento do Ousado mesmo. Ele caça dessa maneira, na aproximação. Ele mergulha para tentar agarrar a presa”.

De acordo com especialistas, esse tipo de abordagem é considerado incomum entre as onças-pintadas da região, tornando Ousado conhecido justamente por essa técnica de caça.

Outro detalhe que chamou atenção dos turistas é o colar que o animal ainda carrega no pescoço. Ousado é a única onça conhecida da região que continua usando o equipamento.

Ousado passou a usar um colar de monitoramento após se recuperar dos ferimentos causados durante o maior incêndio do Pantanal de MT — Foto: Marcelo Tchebes

Por que Ousado ainda usa um colar?

O felino se tornou símbolo da recuperação do Pantanal depois de ser resgatado em 2020 com queimaduras de terceiro grau nas patas e problemas respiratórios provocados pela intensa fumaça dos incêndios que devastaram o bioma.

Ousado teve as quatro patas queimadas durante o incêndio no Pantanal em 2020 — Foto: Corpo de Bombeiros

Após meses de tratamento, ele voltou à natureza usando um GPS-colar para que pesquisadores acompanhassem sua recuperação e adaptação ao ambiente no período pós-incêndio.

Ao g1, o coordenador do Programa de Conservação da ONG Panthera, Fernando Tortato, explicou que o equipamento deveria ter se desprendido automaticamente ao fim do período de monitoramento, mas houve uma falha no mecanismo.

“O colar enviou uma localização por hora durante cerca de 14 meses, permitindo entender como o Ousado utilizava a paisagem e como se deslocava pelo Pantanal após os incêndios. O equipamento possuía um dispositivo de soltura automática programado para cair sozinho, mas, infelizmente, esse mecanismo apresentou falha e o colar permaneceu no animal”, explicou.

Segundo Tortato, desde então o acompanhamento passou a ser feito por armadilhas fotográficas, observações em campo e registros enviados por pesquisadores, guias e turistas.

Ele destaca que, até o momento, não há qualquer indício de que o colar esteja prejudicando a saúde ou o comportamento da onça.

“O Ousado está desempenhando as funções normais que uma onça desempenha. Está caçando, nadando e se deslocando dentro do território esperado. O colar não representa risco para a vida do animal nem interfere nas atividades de rotina”.

 

Retirar o equipamento traria mais riscos

 

Onça ‘Ousado’ bebendo água — Foto: Ailton Lara

Apesar dos questionamentos frequentes sobre a retirada do colar, a equipe técnica afirma que capturar novamente Ousado seria mais perigoso do que mantê-lo com o equipamento.

Segundo Tortato, a captura exigiria anestesiar um animal de vida livre em áreas próximas aos rios, aumentando o risco de acidentes, como quedas em locais alagados e até afogamento. Além disso, os métodos de captura não permitem escolher qual onça será capturada primeiro, o que poderia expor outros animais aos mesmos procedimentos.

“O Ousado já é um animal idoso, com mais de 13 anos. Como o colar não provoca ferimentos nem interfere na vida dele, a decisão técnica, tomada em conjunto por várias instituições e especialistas, é não realizar uma captura apenas para remover o equipamento”, afirmou.

 

O Noroeste

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