Diante do calor extremo e do ar seco, o ar-condicionado virou uma necessidade na rotina dos cuiabanos, mas o uso prolongado pode pesar no orçamento. De acordo com especialistas, um aparelho de 1.000w ligado 8 horas por dia pode aumentar a fatura em cerca de R$ 213,60 ao fim do mês (entenda mais abaixo).
Nesta semana, a Defesa Civil de Cuiabá e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiram um alerta laranja devido à previsão de temperaturas de até 40°C e umidade relativa do ar abaixo de 20%, com índices de umidade que podem variar entre 12% e 20%.
Em dias de calor extremo em Cuiabá, o auxiliar administrativo Kaio Gabriel Del Santo Freitas, de 20 anos, contou que o uso contínuo do aparelho durante as tardes em trabalho remoto fazia os custos aumentarem significativamente. Hoje, ele utiliza placas solares e vê a fatura variar entre R$ 90 e R$ 120.
“Eu trabalhava em modelo remoto antes de ter o ar-condicionado, e dificultava muito. Todo dia eu ficava com dor de cabeça e chegava a trabalhar na área externa para suportar o calor. Com o uso do ar-condicionado, os gastos com energia chegaram entre R$ 800 e R$ 900 ao mês”, relatou.
Em um exemplo hipotético de um aparelho de 1.000 W utilizado durante oito horas por dia durante um mês, teria um consumo teórico de 240 kWh. Considerando a tarifa média de R$ 0,89 por kWh informada pelaconcessionária Energisa, esse consumo corresponderia a aproximadamente R$ 213,60.
O professor e pesquisador de engenharia elétrica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Danilo Ferreira de Souza, explicou que o cálculo começa pela potência do aparelho, informada pelo fabricante em watts (W), e pelo tempo de uso. Segundo ele, é preciso converter a potência para quilowatts (kW) e multiplicá-la pelas horas de funcionamento e pelos dias de uso.
Para exemplificar, considera-se um quarto de 10 m² com um aparelho de aproximadamente 1.000 W (1 kW), funcionando oito horas por dia.
Em 30 dias:
Nesse cenário, portanto, o aparelho teria um consumo teórico de 240 kWh contabilizados em um mês. O professor ressaltou que o cálculo corresponde a uma estimativa e não corresponde necessariamente ao acréscimo final na fatura, que pode incluir outras variáveis.
“De maneira simplificada, temos a quantidade de energia que consumimos; depois, aplicamos a tarifa correspondente e os acréscimos previstos, como a bandeira tarifária e os impostos. É essa composição que resulta no valor final da conta paga pelo consumidor”, explic.
Por que o calor aumenta o consumo?
Em dias mais quentes, o aparelho pode precisar trabalhar por mais tempo para atingir e manter a temperatura selecionada. O professor explicou que, se um ambiente estiver a 28°C e o aparelho for configurado para 22°C, será necessário reduzir a temperatura em 6°C. Com uma temperatura externa maior, a diferença aumenta e o equipamento precisa retirar mais calor do ambiente.
A unidade externa do equipamento também interfere, segundo o pesquisador. O compressor precisa ficar em um local ventilado para realizar a troca de calor, mas protegido da incidência direta do sol. Além disso, portas e janelas mal vedadas também permitem a entrada de ar quente, enquanto a incidência de sol pelas janelas aumenta o calor dentro do cômodo.
O professor ressaltou que não é necessário configurar o aparelho para temperaturas muito baixas, como 16°C, 17°C ou 18°C. A recomendação é trabalhar com temperaturas entre 22°C e 24°C. A Energisa também orienta utilizar o ar-condicionado em torno de 23°C como medida de economia.
A limpeza é outro fator que interfere na eficiência. O acúmulo de sujeira nos filtros pode fazer o equipamento trabalhar mais para refrigerar o ambiente, e exige manutenção tanto da unidade interna quanto da externa. A instalação elétrica também deve ser compatível com a potência do aparelho para evitar perdas nos condutores.
*Sob supervisão de Kessillen Lopes
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