Pamela Cristiane da Silva, de 30 anos, conhecida como Pam do Grau — Foto: Reprodução/Redes sociais
Uma influenciadora digital Pamela Cristiane da Silva, de 30 anos, conhecida como Pamm do Grau, movimentou R$ 928 mil em uma conta bancária entre junho de 2025 e abril deste ano, segundo investigação da Polícia Civil. Ela não possuía vínculo empregatício formal, declarava renda mensal de R$ 901 e foi alvo da Operação Jogo Duplo, deflagrada nessa terça-feira (8), em Nova Mutum, a 269 km de Cuiabá.
Com cerca de 120 mil seguidores no Instagram, Pamela é investigada pela Delegacia de Roubos e Furtos (Derf) por divulgar de forma remunerada plataformas clandestinas de jogos de azar online. Segundo a Polícia Civil, ela publicava vídeos nos quais aparecia ganhando dinheiro nas apostas, mas utilizava um link diferente daquele disponibilizado aos usuários comuns. A reportagem tenta localizar a defesa de Pamela.
Segundo o delegado Jean Paulo Ferreira, responsável pelo caso, a empresa divulgada pela influenciadora já aparece em 355 boletins de ocorrência por estelionato registrados em diferentes estados do país.
A movimentação financeira chamou a atenção dos investigadores diante da renda declarada pela influenciadora. Conforme a Polícia Civil, R$ 928 mil passaram pela conta bancária dela em um período de aproximadamente dez meses, apesar da ausência de emprego formal e da renda mensal declarada de R$ 901.
Durante a operação, foram apreendidos bens e equipamentos ligados à investigada e sequestro de veículos registrados em nome dela. A imprensa, o delegado afirmou que os veículos estão avaliados em cerca de R$ 400 mil. Entre o material apreendido estão:
A Justiça também determinou o sequestro de R$ 642.845,45 em valores, além da quebra do sigilo fiscal referente ao período de 2023 a 2026.
Pamela ainda foi submetida ao uso de tornozeleira eletrônica, e o perfil usado por ela no Instagram teve a suspensão determinada judicialmente. Também foram cumpridas ordens de busca e apreensão e autorizada a quebra do sigilo telemático dos aparelhos recolhidos.
Segundo a investigação, a influenciadora divulgava os jogos aos seguidores com vídeos que mostravam supostos ganhos financeiros. A polícia afirma, porém, que o acesso utilizado por ela nas gravações era diferente daquele oferecido aos apostadores comuns e apresentava resultados positivos.
Para os investigadores, a estratégia fazia com que seguidores acreditassem que poderiam obter os mesmos resultados ao depositar dinheiro e apostar nas plataformas divulgadas.
A polícia também identificou relatos de usuários que conseguiam acumular valores dentro dos jogos, mas não conseguiam sacar o dinheiro.
As apurações indicam ainda que algumas dessas plataformas permaneciam disponíveis por cerca de dois a três meses e depois deixavam de funcionar. Conforme novos links e nomes surgiam, a influenciadora continuava fazendo as divulgações, segundo a investigação.
A Operação Jogo Duplo investiga se a publicidade dos jogos era utilizada para obter vantagem financeira por meio de promessas de enriquecimento fácil e indução dos usuários ao erro.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e rastrear a movimentação do dinheiro. A Polícia Civil orientou que moradores de Nova Mutum que tenham apostado nas plataformas investigadas e se considerem vítimas procurem a Derf do município para registrar boletim de ocorrência.
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