O consumidor brasileiro sentiu um alívio direto no orçamento familiar durante o mês de agosto. Impulsionada pelo desconto cobrado na conta de energia elétrica e pela terceira queda consecutiva nos preços dos alimentos, a inflação oficial do país (IPCA) fechou o mês no terreno negativo, registrando taxa de -0,32%.
Os dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo IBGE mostram que esta é a menor variação para um mês de agosto desde 2022. Com o recuo, a inflação acumulada nos últimos 12 meses caiu de 4,44% para 4,22%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância da meta estipulada pelo governo federal (entre 1,5% e 4,5%).
O vilão que virou mocinho: conta de luz despenca
O grande responsável por puxar o custo de vida para baixo foi a conta de luz residencial, que caiu 7,63% em média. A retração é a maior já registrada para o mês de agosto em toda a história do Plano Real.
A queda se deve à aplicação do chamado Bônus de Itaipu — um crédito financeiro decorrente do saldo positivo da usina hidrelétrica estatal, repassado diretamente como abatimento na fatura de energia dos consumidores.
Feira mais barata e freio nos combustíveis
Além da eletricidade, outros itens de grande peso no orçamento das famílias ajudaram a segurar a inflação:
- Alimentos essenciais: a batata-inglesa liderou as quedas com tombo de 19,89%, acompanhada da cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%), tomate (-10,94%) e ovos (-4,15%).
- Passagens aéreas: caíram 13,17%, sendo o segundo item individual que mais contribuiu para a deflação do mês.
- Combustíveis: o setor de transportes cedeu com baixas no etanol (-3,95%), diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%).
- Transporte por aplicativo: apresentou recuo de 4,57% nas tarifas.
Comportamento dos setores e spread de preços
Apesar do recuo geral no índice oficial, o aumento de preços ainda não desapareceu por completo. O chamado “índice de difusão” subiu de 50% para 54%, o que significa que pouco mais de metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE teve alguma alta no período.
Enquanto os preços administrados por contratos e governos (como a energia) caíram 1,26%, o setor de serviços, mais sensível ao ritmo de consumo interno, manteve-se praticamente estável, com ligeira alta de 0,03%.
*Sob supervisão de Gene Lannes
Fonte: Agência Brasil




