Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, foi transferida nesta terça-feira (20) de uma unidade prisional de Mato Grosso do Sul para a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Apontada pela Polícia Civil como uma das lideranças de uma facção criminosa no norte de Mato Grosso, ela deverá cumprir o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá (MS), para onde foi levada após ser capturada na Bolívia. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da penitenciária feminina de Cuiabá.
Segundo a Polícia Civil, a investigada tem condenações que ultrapassam 260 anos de prisão e mandados de prisão expedidos em diferentes processos e investigações.
Angeliquinha foi localizada e capturada em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação conjunta das polícias Civil de Mato Grosso e Boliviana. Dois dias depois, foi entregue à Polícia Federal brasileira e encaminhada provisoriamente para a unidade prisional de Corumbá, onde aguardou a transferência.
De acordo com as investigações, ela é apontada como uma das lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e região. A Polícia Civil investiga o envolvimento dela em atividades relacionadas ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e à coordenação de ações criminosas.
A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada. O RDD prevê condições especiais de custódia e restrições previstas na legislação.
A medida foi determinada no âmbito de uma representação da Polícia Civil relacionada às investigações da Operação Showdown. Conforme a decisão judicial citada pela polícia, há suspeitas de que Angeliquinha tenha continuado a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo enquanto estava foragida no exterior.
Em março de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para investigar suspeitas de que familiares de Angeliquinha davam suporte às atividades criminosas ligadas a ela e ajudavam a lavar dinheiro.
Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestros de veículos e imóveis, bloqueios de contas bancárias e suspensões de pessoas jurídicas.
Segundo a investigação, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em cerca de um ano e sete meses. Para os investigadores, os valores eram incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos, e empresas e outros negócios teriam sido usados para dar aparência lícita a recursos de origem criminosa.
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