O juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) e tornou réus Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT e apontado como “tesoureiro” do Comando Vermelho em Mato Grosso, a advogada e influenciadora Dayane Karol Moreira da Silva, o ex-assessor parlamentar da Câmara de Cuiabá Brunno Passos da Silva e outras sete pessoas.
A decisão, publicada nesta segunda-feira (19), é resultado das investigações da Operação Replay, deflagrada em julho deste ano para combater um esquema de organização criminosa e lavagem de dinheiro, em Cuiabá;
Entre os denunciados também estão Thawany Nunes Silva de Bulhões, esposa de WT; o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como Soldado; Emerson Ferreira Lima, o Gordinho; a influenciadora Katani Adorno Bocardi, esposa de Emerson; Ygor Henrique da Silva Martins; Anderson Alves de Sousa; e Allan Xavier da Silva.
Ao receber a denúncia, o magistrado considerou que o Ministério Público apresentou elementos suficientes para justificar a abertura da ação penal, incluindo indícios de autoria e materialidade dos crimes.
O juiz determinou que os dez acusados sejam citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias.
Na mesma decisão, Jean Garcia acolheu o pedido do Ministério Público para arquivar a investigação contra outras sete pessoas que também haviam sido investigadas.
São elas Aldemir de Assis Campos, Paulo Vinicius Gabriel de Araújo, Wires Alves Guerra, Nagilda Cândida Ferreira Lima, Fernando Wagner Moraes Amorim, Wellen de Amorim Gomes e Giselly Breier Streck.
Com o arquivamento, o magistrado também revogou a prisão preventiva de Aldemir, conhecido como Tucão.
Operação Replay
Deflagrada em 30 de julho, a Operação Replay teve como um dos principais alvos WT, apontado pela Polícia Civil como responsável pelo controle financeiro da maior facção criminosa de Mato Grosso.
Segundo as investigações, mesmo preso em uma ala de segurança máxima do sistema penitenciário estadual, ele continuaria exercendo funções de comando financeiro e disciplinar da organização.
A polícia identificou indícios de que WT repassava orientações a integrantes em liberdade e determinava movimentações de recursos de origem ilícita.
A operação resultou no cumprimento de dez mandados de prisão preventiva e na aplicação de medidas cautelares contra 14 investigados em Mato Grosso, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e valores superiores a R$ 17,2 milhões, incluindo apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.
Desse total, até R$ 15,324 milhões correspondem a ativos financeiros cuja indisponibilidade foi determinada judicialmente. Segundo a Polícia Civil, o montante foi identificado em registros de contabilidade apreendidos durante as investigações.
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