Cade suspende Moratória da Soja e abre investigação contra empresas signatárias I MT

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que traders de soja (empresas que comercializam o grão) suspendam o acordo da “Moratória da Soja” dentro de 10 dias, sob pena de multas pesadas.

A medida, que instaura um processo administrativo contra as associações e empresas que são signatárias do acordo, é preventiva.

➡️A Moratória da Soja, assinada em 2006, busca proteger a floresta amazônica ao impedir que traders de soja comprem de produtores que tenham desmatado áreas na região após julho de 2008.

Mas, para o Cade, o pacto “constitui um acordo anticompetitivo entre concorrentes que prejudicam a exportação de soja”.

“Essas práticas, se comprovadas, resultam na aquisição de produtos em condições mais desvantajosas ou por valores acima daqueles que seriam encontrados em mercados efetivamente competitivos”, diz a Superintendência-Geral, em nota.

➡️Empresas e entidades do setor como a Anec e a Abiove, que representam comerciantes globais de grãos como ADM, Cargill, Bunge, Louis Dreyfus e Cofco, têm 10 dias para cumprir a determinação.

Proibições

Segundo a decisão, as medidas preventivas do Cade devem ser adotadas pelo grupo de trabalho da Moratória da Soja, que inclui Anec, Abiove e 30 empresas de grãos signatárias do programa.

A decisão também proíbe que os exportadores de soja coletem, compartilhem, armazenem e divulguem informações comercialmente sensíveis relacionadas ao comércio de soja e aos produtores com os quais mantêm negócios.

Além disso, determina a retirada de todas as informações sobre a Moratória da Soja e da publicidade relacionada disponível online.

Segundo a agência Reuters, o superintendente-geral do Cade, Alexandre Barreto de Souza, determinou uma investigação completa sobre os signatários do acordo, no qual as empresas compartilham informações comercialmente sensíveis.

As empresas que quiserem utilizar os critérios da Moratória da Soja na compra de grãos produzidos na Amazônia devem fazê-lo “de maneira independente, adstritos à legislação nacional”, escreveu o superintendente.
Como milho e soja vêm tomando área de arroz e feijão há 19 anos

Repercussão

 

Já o grupo ambientalista Greenpeace afirmou à Reuters que a decisão foi resultado de pressão do setor agropecuário, comprometendo quase 20 anos de avanços.

“Ao suspender a moratória, o Cade não apenas estimula o desmatamento, mas também silencia o direito do consumidor de escolher produtos que não contribuam para a devastação da Amazônia”, disse a organização.

Segundo o Greenpeace, os ataques ao pacto “são políticos e favorecem justamente quem mais lucra com a destruição da Amazônia”.

Para a Aprosoja Mato Grosso, que se opõe à Moratória, a decisão do Cade foi considerada “histórica”.

“Há anos, um acordo privado, sem respaldo legal, vinha impondo barreiras comerciais injustas aos produtores… impedindo a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas”, afirmou a entidade em nota.

A Anec disse à Reuters que recebeu a decisão com “extrema preocupação” a decisão e afirmou que vai adotar as medidas administrativas cabíveis para recorrer da decisão.

Segundo a associação, o programa é um “pacto multissetorial”, assinado com a sociedade civil, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama, e deve ser mantido.

Já a Abiove, que representa as indústrias esmagadoras de oleaginosas, disse ter ficado “surpresa” com a recomendação de uma investigação aprofundada e a imposição de medidas preventivas, acrescentando em nota que tomará medidas para comprovar a legalidade do pacto.

O Noroeste

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