Ituí-bico-de-tamanduá: mulheres pescam peixe de espécie exótica da Amazônia em rio de MT

Pauline Miranda de Campos, de 41 anos, esperava pescar qualquer espécie conhecida da região no último domingo (7), menos capturar um peixe exótico da Amazônia no Rio Teles Pires, em Carlinda, a 724 km de Cuiabá.

A sorte foi tanta que Pauline havia ganho esses quatro dias na pousada num sorteio durante evento de pesca em São Paulo.

“Foi como um presente. Fico feliz de participar de um momento tão raro e também quero que mais mulheres participem da pesca”, contou ela à imprensa.

Ela não estava sozinha. A guia dela, Neusa de Araújo Moreira Alves, foi quem fisgou o peixe da espécie ituí-bico-de-tamanduá — uma espécie exótica da Amazônia, que vive escondido e com hábitos noturnos, o que tende a dar impressão de raridade por ser pouco visto.

Peixe exótico é pescado em rio de MT — Foto: Arquivo pessoal

“No momento ficamos com medo, porque não parecia com nada que já conhecíamos. Fiquei com medo de levar choque ou algo do tipo, então pegamos apenas pelo anzol”, relatou.

Por volta de 10h30 do domingo, a vara no barco que já estava com isca balançou de um jeito estranho, o que chamou atenção de Neusa e Pauline, que pescavam sozinhas a 15 minutos de barco da pousada Recanto do Tatu.

Enquanto Neusa recolhia a linha, Pauline observava com estranheza o corpo que emergia da água. “Na hora pensei que fosse um tronco, mas aquilo passava de 40 centímetros. E ele tinha engolido a isca inteira.”

Ao chegar na pousada com o peixe, Pauline contou que ouviu relatos de que este tipo de animal não era visto no estado desde 2013, quando foi flagrado em Alta Floresta.

“Trouxemos o peixe para a pousada para que ele seja estudado, isso porque vimos que ele não ia sobreviver depois que puxamos da água”, afirmou.

🎣Paixão pela pescaria

 

A pescaria acompanha Pauline desde a infância. A paixão pelo pescado encontrou espaço como hobby e, aos poucos, isso se transformou em uma iniciativa: ela organizou um grupo de até 300 mulheres que se reúnem uma vez por mês para pescarem juntas.

Chamado de “Pererecas de Batom”, o grupo já conta com participação de mulheres de outros estados. Depois dessa pesca inusitada, Pauline espera ver o grupo crescer ainda mais.

“O mundo da pesca é tão masculino, que mostramos que mulher também pode pescar. O rio é de todo mundo”.

VIDEO:

O Noroeste

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