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Eraí Maggi diz que novas demarcações em Mato Grosso não resolvem problema I MT

O empresário Eraí Maggi avaliou as recentes homologações de terras indígenas em Mato Grosso e defendeu que o debate sobre o tema avance para além da disputa territorial. Na última semana, o presidente Lula confirmou as demarcações das áreas Estação Parecis, em Diamantino, Manoki, em Brasnorte, e Uirapuru, que envolve Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste, reacendendo divergências políticas no estado.

Eraí afirmou que ainda não se aprofundou nos detalhes de cada processo, mas ressaltou que a discussão não pode ficar limitada ao conceito de quem detém a posse das áreas. Para ele, é necessário garantir condições reais de desenvolvimento às comunidades indígenas. “O que é de índio é de índio, o que é de branco é de branco, mas precisamos entender melhor todo esse cenário. Esse conflito é ruim”, disse.

O produtor rural destacou que, embora exista convivência pacífica entre agricultores e aldeias nas regiões onde atua, persistem problemas sociais graves dentro das reservas. Ele citou a vulnerabilidade de jovens indígenas. “O indiozinho está lá, coitado, a menina na prostituição, os guris na droga. Isso é ruim. Temos que dar condições para o índio, para os filhos deles”, afirmou.

Segundo Eraí, a pressão sobre os recursos naturais ao longo das últimas décadas agravou dificuldades. Para ele, a ocupação das margens de rios por não indígenas diminuiu a oferta de alimentos tradicionais às aldeias. “O peixe não vem mais onde passa nas aldeias. Antes criava peixe e bicho no Brasil inteiro e na reserva eles caçavam. Agora não cria suficiente só dentro da reserva.”

Na avaliação do empresário, a simples ampliação de territórios não é suficiente para solucionar os desafios enfrentados pelas comunidades originárias. Ele defende políticas que incentivem autonomia, produção sustentável e acesso à tecnologia, com respeito às tradições. “Talvez essa terra não vai resolver, não. O que vai resolver é dar condições. Deixar o índio trabalhar, produzir com tecnologia, como em outros países, respeitando a cultura dele.”

Eraí disse ainda que o compromisso com a qualidade de vida dos povos indígenas deve ser compartilhado por toda a sociedade. “Todo mundo tem que dar condições. O índio não consegue mais ser isolado, está permeado pelo branco em volta. Temos que ser mais responsáveis.”

As homologações ocorrem em meio ao avanço do debate sobre o marco temporal no Supremo Tribunal Federal. Em Mato Grosso, o governador Mauro Mendes ingressou recentemente com uma petição dentro do processo que discute a tese. O tema segue em audiências de conciliação, enquanto a lei aprovada pelo Congresso em 2023 ainda gera controvérsia após ter sido considerada inconstitucional pelo STF.

O Noroeste

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