O corpo de uma mulher foi encontrado no domingo (11) em uma ponte de madeira na BR-174 próxima da Terra Indíngena Sararé, em Pontes e Lacerda (MT), que também alcança os municípios de Conquista D’Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade.
A vítima foi identificada como Regiane Oliveira Lima, de 38 anos.
O local, segundo ele, costuma ser usado pelos criminosos como ponto de desova.
“Eles jogam os corpos na estrada, mais próximo da área urbana, para não parar a atividade garimpeira. Eles jogam para que a polícia só vá até ali e para que a gente não descubra o crime, porque fica prejudicado o local do crime”, explicou.
O corpo da vítima foi encontrado por volta de 15h no domingo. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi acionada e faz análise para apontar a causa da morte.
O território indígena se tornou um dos mais devastados da Amazônia Legal em razão da exploração ilegal de ouro, que se intensificou nos últimos dois anos com a presença de integrantes de facção criminosa do Comando Vermelho.
Em outubro do ano passado, membros da facção criminosa que controlam o local ainda estariam escondidos no interior da terra indígena fortemente armados, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Parte desse grupo é investigado, também, pela destruição provocada na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Na ocasião, mais de 100 escavadeiras hidráulicas foram destruídas e causou prejuízo de mais de R$ 226 milhões ao garimpo ilegal na região.
A operação coordenada pelo Ibama em parceria com Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional, Gefron, Polícia Civil e Polícia Militar de Mato Grosso e Goiás cumpre uma determinação da Justiça Federal para expulsar os garimpeiros ilegais numa ação chamada de desintrusão, que não tem prazo para encerrar.
🔍 Desintrusão é um termo usado para explicar o processo de retirada de invasores de uma terra indígena demarcada e homologada. A operação é coordenada pelo governo federal junto com outras autoridades, como PF, Ibama e Funai.
Dos 67 mil hectares, mais de três mil já foram devastados pela exploração ilegal de ouro.
Os agentes suspeitam que há cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas que atuam dentro do território indígena, o que gera conflitos armados.
Em quase dois meses de operação já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e estruturas diversas para suporte logístico das atividades ilegais.
Desde 2023, mais de 460 escavadeiras já foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé.
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