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Ex-CEO, ex-presidente da Unimed e outros 4 acusados viram réus por estelionato e lavagem de dinheiro em MT

A Justiça Federal em Mato Grosso aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra cinco ex-funcionários da Unimed Cuiabá que faziam parte da alta administração e um empresário por suspeita de estelionato e lavagem de dinheiro. A decisão é do dia 23 de deste mês e transforma o caso em ação penal. O MPF pede a condenação dos denunciados, além do ressarcimento dos prejuízos, estimados em mais de R$ 900 mil, e indenização por danos morais coletivos.

Veja abaixo quem são os réus alvos da operação:

  • Rubens Carlos de Oliveira Jr. – ex-presidente, por estelionato e lavagem de dinheiro;
  • Eroaldo Oliveira – ex-CEO, por estelionato e lavagem de dinheiro;
  • Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma – médica e ex-diretora administrativa financeira, por estelionato;
  • Ana Paula Parizzotto – ex-superintendente administrativa financeira, por estelionato e lavagem de dinheiro;
  • Jaqueline Larréa – advogada, por estelionato e lavagem de dinheiro
  • Erikson Tesolni Viana, por estelionato e lavagem de dinheiro

A reportagem tenta localizar a defesa dos acusados.

Investigação

Segundo o MPF, o grupo simulou a contratação de um serviço de intermediação financeira que não existiu para justificar o pagamento de R$ 700 mil, causando prejuízo à cooperativa. O esquema teria ocorrido entre setembro e dezembro de 2022 e envolvido integrantes da alta gestão da operadora de saúde.

Na decisão, o juiz federal Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal Criminal, entendeu que a denúncia atende aos requisitos legais e há indícios mínimos de autoria e materialidade dos crimes, o que permite o andamento do processo. Com o recebimento da denúncia, os acusados passam a responder formalmente à ação penal e serão citados para apresentar defesa.

De acordo com a investigação, a Unimed Cuiabá foi induzida a erro com a alegação de que uma empresa teria intermediado um empréstimo de R$ 33,1 milhões junto a uma instituição financeira. No entanto, o banco informou que não utiliza intermediários e que a negociação foi feita diretamente com a cooperativa.

A denúncia aponta ainda que o contrato usado para justificar o pagamento apresentava indícios de fraude, como assinatura posterior à data indicada e falta de comprovação dos serviços. Também há suspeita de irregularidades na liberação dos valores e de envio de informações contábeis falsas à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Segundo o MPF, após o pagamento, o dinheiro teria sido ocultado por meio de saques em espécie, depósitos fracionados e uso de contas de terceiros para dificultar o rastreamento.

Na decisão, o juiz também homologou o arquivamento de parte das investigações em relação a uma das investigadas e retirou a acusação de lavagem de dinheiro contra outra, por falta de provas.

O magistrado ainda determinou a retirada do sigilo do processo principal, mantendo restrição apenas sobre dados bancários dos envolvidos. Além disso, autorizou novas buscas, como pedido de informações à Caixa Econômica Federal.

Como atuavam

A denúncia descreve o modo de atuação de cada um dos envolvidos.

  • Diretor-presidente é apontado como líder do esquema e responsável por autorizar e acompanhar a operação;
  • O ex-diretor executivo teria articulado a contratação e pressionado setores internos para viabilizar o pagamento;
  • A ex-chefe do departamento jurídico teria elaborado e validado o contrato simulado, conferindo aparência de legalidade à operação;
  • A área administrativa e financeira, por sua vez, teria garantido a liberação dos recursos fora dos trâmites regulares.

 

Entenda o caso

 

Material encontrado durante a operação — Foto: Polícia Federal

Em 2024, Rubens Carlos de Oliveira Jr., Eroaldo Oliveira, Suzana Aparecida Rodrigues dos Santos Palma, Ana Paula Parizzotto, Tatiana Bassan e Jaqueline Larréa já haviam se tornado réus por fraudes contábeis.

Em nota, à época, a defesa de Eroaldo de Oliveira, Ana Paula Parizotto e Tatiana Gracielle Bassan, disse que os cargos devidamente ocupados pelos mesmos à época dos fatos eram de consultor executivo, superintendente administrativa e financeira e chefe de núcleo, não exercendo funções diretivas, insurgindo-se contra os cargos de “CEO” e, ou “EX-CEO”, diretora financeira e contadora também, respectivamente.

Em outubro de 2024, Rubens e Eroaldo, que foram presidente e CEO da Unimed Cuiabá, foram presos durante a Operação Bilanz, da PF. A operação apura um rombo de R$ 400 milhões na cooperativa de saúde, que atua em Mato Grosso e Minas Gerais.

O Noroeste

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