Categories: FeaturedMT MAIS

Empresa contratada para obras em quilombo de MT é processada por manter trabalhadores em abrigo insalubre

Uma empresa contratada para construir 56 casas no assentamento foi processada após cinco trabalhadores serem encontrados em condições análogas à escravidão no Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento, a 50 km de Cuiabá.

A reportagem tenta localizar a defesa da empresa Gêneses Construções e Montagens Ltda.

No dia 26 de março, a 3ª Vara do Trabalho de Cuiabá concedeu uma liminar, a pedido do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT), para que a empresa se abstenha de manter trabalhadores em condições que violem as normas de proteção ao trabalho, incluindo situações de trabalho forçado ou análogo à escravidão, sob a pena de multa de R$ 25 mil.

Na decisão, a juíza do Trabalho Tatiana de Oliveira Pitombo destacou o risco de novos trabalhadores serem submetidos às mesmas condições, já que o contrato da obra segue em vigor.

No processo, o MPT também pede:

  • R$ 200 mil por dano moral coletivo;
  • R$ 50 mil de indenização por dano moral individual a cada trabalhador;
  • R$ 89 mil em verbas rescisórias, já calculadas pela fiscalização.

 

Condições degradantes

Abrigo onde trabalhadores estavam hospedados durante as obras

Trabalhadores tinham dormitórios improvisados — Foto: MPT-MT
Segundo o MPT, a denúncia foi feita em março. No mesmo mês, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso realizou fiscalização e confirmou a ocorrência de trabalho degradante.

Os trabalhadores estavam alojados em um espaço improvisado, originalmente usado para armazenar materiais de construção. O local tinha instalações elétricas irregulares, estrutura deteriorada, janelas sem vedação e exposição ao clima. Além disso, o imóvel também abrigava animais abandonados.

A fiscalização encontrou ainda ausência de água potável, saneamento básico, local adequado para refeições e área de convivência. O espaço de banho tinha mofo, não havia chuveiro e a água era fria, saindo de um cano. Nos dormitórios, faltavam camas adequadas, roupas de cama e mobiliário básico.

A cozinha não tinha geladeira, e o fornecimento de alimentos havia sido interrompido por falta de pagamento ao fornecedor. Parte dos alimentos consumidos pelos trabalhadores foi doada por moradores da região.

Para a magistrada, as condições de trabalho violaram normas básicas e atentaram contra a dignidade, saúde e segurança dos trabalhadores.

O Noroeste

Recent Posts

Produção de grãos cresce 2,4% no país, mas quedas no feijão e arroz ligam alerta de preços para o consumidor – O Mato Grosso

O campo brasileiro se prepara para bater novos recordes e injetar ainda mais força na…

3 horas ago

VÍDEO: jovem escapa de tentativa de homicídio após arma falhar em MT

Segundo a Polícia Militar, vítima relatou que devia R$ 1 mil a uma facção e…

5 horas ago

PF mira esquema de R$ 1 bilhão em ‘bets’; advogado que tem escritório em Cuiabá é um dos alvos

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), em parceria com o Ministério Público Federal, com…

5 horas ago

Comércio brasileiro cresce 0,5% em junho e fecha primeiro semestre com saldo positivo de 1,9%

O alívio na inflação e a expansão do mercado de trabalho deram um novo fôlego…

5 horas ago

Projeto de Max Russi cria Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais de MT

A Assembleia Legislativa (ALMT) concluiu, nesta quarta-feira (12), a tramitação do projeto de autoria do…

6 horas ago

ALMT e TRE lançam campanha para combater desinformação nas eleições de 2026

Iniciativa orienta eleitor a reconhecer conteúdos manipulados e verificar informações antes de compartilhar Em um…

6 horas ago