Mato Grosso registrou 63 conflitos no campo ao longo de 2025, envolvendo quase 54 mil pessoas, segundo dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra em Mato Grosso (CPT-MT). O relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025” será lançado nesta terça-feira (19), em Cuiabá.
Conforme o levantamento, a maior parte das ocorrências está relacionada a disputas por terra, que somaram 53 casos e atingiram 11.841 famílias. Entre os grupos mais afetados estão assentados, posseiros e comunidades quilombolas.
Outro dado que chama atenção é o número de registros de pistolagem, com 200 ocorrências ligadas a ameaças, intimidações e atuação de grupos armados em áreas de conflito.
O relatório também aponta aumento expressivo nas ameaças de despejo judicial. Ao todo, 4.701 famílias conviviam com a possibilidade de remoção pela Justiça, crescimento superior a 300% em relação ao ano anterior.
A região Norte de Mato Grosso lidera o número de municípios envolvidos em conflitos agrários, com 26 cidades registrando ocorrências. O dado representa aumento de 36,8% em comparação a 2024. Em todo o estado, 48 municípios tiveram registros de conflitos no campo, alta de 14,3%.
Trabalho escravo
O levantamento ainda coloca Mato Grosso na liderança nacional em número de trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão em 2025.
Segundo a CPT, duas ocorrências foram registradas no estado, resultando no resgate de 606 trabalhadores submetidos a condições degradantes e jornadas exaustivas.
O principal caso ocorreu em Porto Alegre do Norte, onde 586 pessoas foram encontradas trabalhando em condições análogas à escravidão durante a construção de uma usina de etanol.
Outro caso foi registrado em Nova Maringá, envolvendo 20 trabalhadores que atuavam no corte e empilhamento de madeira na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão.
Conflitos por água
Os conflitos relacionados ao acesso à água também cresceram em Mato Grosso. Em 2025, foram contabilizadas oito ocorrências, afetando diretamente 1.491 famílias.
As disputas envolvem principalmente barramentos, contaminação de recursos hídricos, avanço agrícola e restrição de acesso à água por comunidades tradicionais e pequenos produtores.
Dados nacionais
Em todo o país, a CPT registrou 1.593 conflitos no campo em 2025, redução de 28% em comparação a 2024, quando foram contabilizados 2.207 casos.
Apesar da queda geral, o número de assassinatos no campo dobrou, passando de 13 para 26 vítimas. Também houve aumento nos registros de trabalho escravo rural e no total de trabalhadores resgatados.
O lançamento do relatório ocorre às 19h, no auditório da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FACC), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
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